quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012




Do portal - "EXÉRCITO"  , com a devida vénia, transcrevemos:
"Hino Nacional
A PORTUGUESA
Aprovado a 19 de Junho de 1911 pela Assembleia Constituinte.
Com música de Alfredo Keil e letra de Henrique Lopes de Mendonça A Portuguesa foi composta em 1890 na sequência do "Ultimato" Inglês, momento em que se tornou popular. Foi ao som dela que em 31 de Janeiro de 1891 se proclamou, no Porto, a República, numa falhada tentativa de pôr termo à Monarquia. Proibida desde então A Portuguesa foi adoptada como Hino Nacional em 1911 na mesma Assembleia que aprovou a Bandeira Nacional.
Em 1956 foi nomeada uma comissão encarregada de estudar a versão oficial do Hino. A 16 de Julho de 1957 foi aprovada em Conselho de Ministros a versão actualmente em vigor.
O Hino é executado oficialmente em cerimónias nacionais civis e militares onde é rendida homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Também, quando se trata de saudar oficialmente em território nacional um chefe de Estado estrangeiro, a sua execução é obrigatória, depois de ouvido o hino do país representado.

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitoria!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d´amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Alfredo Keil compôs o hino nos últimos dias de Janeiro de 1890, no próprio instante em que vibrava fortemente no País o protesto contra o ultimato britânico. Tinha-se constituído a Grande Comissão Nacional que, por meio de festas e subscrições públicas, angariou avultadas quantias que foram aplicadas na construção do cruzador "Adamastor" e da canhoneira "Pátria". A convite insistente do glorioso artista, Henrique Lopes de Mendonça compôs as estrofes enquadradas na bela peça musical. O hino foi executado pela primeira vez, na noite de 1 de Fevereiro de 1890, no sarau realizado no antigo Coliseu de Lisboa, por iniciativa da Associação Musical 24 de Junho e da comissão executiva de aspirantes da Marinha, a favor da subscrição para a defesa nacional. Duas vezes executado por banda e fanfarra. A Portuguesa foi ouvida de pé e motivou manifestações patrióticas de indescritível entusiasmo. Na mesma época, a representação no entre acto "A Torpeza", de Campos Júnior, no extinto Teatro da Alegria, terminou com a execução do hino. Fez-se uma edição da música e letra e inúmeros exemplares desta edição foram distribuídos por todo o País, principalmente pelas bandas, sociedades de recreio e teatro. Desde então, o hino começou a ser tocado, sempre que para isso se encontrasse o menor pretexto, e não era raro que o povo o entoasse nas ruas. Teve a sua maior consagração noutro sarau em favor da subscrição nacional, realizado no Teatro S. Carlos, em que os solos foram cantados pelos principais artistas da companhia lírica e o estribilho por um coro de numerosas figuras. Foi adoptado pelos revolucionários do 31 de Janeiro, no Porto, que o fizeram tocar, na hora febril, pela banda que antecedia a coluna republicana. Passou então a ser o hino revolucionário contra o regime monárquico. Apesar de todas as proibições e da sistemática perseguição policial, não deixou de ser cantado ou tocado em manifestações republicanas. O governo provisório da República fê-lo adoptar como hino nacional e conferiu-lhes todas as honras militares e civis. No final dos seus concertos em praças públicas, nos primeiros tempos do regime republicano, A Portuguesa foi executada por bandas militares, com o fim de a tornar reconhecida e acatada.
Henrique Lopes de Mendonça nasceu em Lisboa, em 1856. Foi oficial da Marinha de Guerra, professor de História e Literatura na Escola Superior de Belas Artes e Presidente da Academia de Ciências. Poeta e escritor deixou uma obra muito variada: peças de teatro geralmente inspiradas em temas históricos como «A Morte» (sobre D. Inês de Castro), «Afonso de Albuquerque» e «O duque de Viseu». «Estudos sobre Navios Portugueses nos sécs. XV e XVI». Textos para óperas (libretos) e muitos poemas."

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