segunda-feira, 20 de novembro de 2017



Recordar Alfredo Guisado  -  5



A artéria de Alfredo Guisado 


Placa Tipo II - Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)
Placa Tipo II – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)
Alfredo Guisado que abandonou a revista Orpheu após a saída do nº2, desde 1977  que dá o seu nome ao que era o arruamento de ligação entre a Estrada de Benfica e a Rua Mariano Pina, na freguesia de São Domingos de Benfica, através da publicação do Edital de 10 de outubro.
A sugestão de topónimo partiu do Centro Escolar Republicano Almirante Reis que o queria a substituir o Largo da Graça, o que a edilidade recusou por alterar toponímia tradicional lisboeta, e criou-o no local onde ainda hoje vigora. A Câmara alfacinha voltou a homenagear este poeta em 22/01/2000, ao descerrar uma placa evocativa no nº 108 da Praça D. Pedro IV, onde se pode ler: « No 4º andar deste prédio, nasceu em 30 de Outubro de 1891, o poeta de Orpheu Alfredo Pedro Guisado».
Entrega da medalha de ouro da cidade à Sociedade Voz do Operário, representada pelo seu presidente, doutor Alfredo Guizado
Entrega da medalha de ouro da cidade à Sociedade Voz do Operário, pelo vice-presidente da CML, Luís Pastor de Macedo ao seu presidente,  Alfredo Guisado (Foto: Armando Serôdio, 1953, Arquivo Municipal de Lisboa)
Alfredo Pedro Guisado (Lisboa/30.10.1891 – 02.12.1975/Lisboa), era de ascendência galega e o seu pai era proprietário do Hotel e do Restaurante Irmãos Unidos, no nº 108 da Praça de Dom Pedro (só a partir de 26/03/1971 se passou a designar Praça D. Pedro IV), ponto de encontro do grupo Orpheu e, estabelecimento comercial afamado em Lisboa que encerrou em 1970.
Ficou como poeta ligado à revista Orpheu, onde publicou 13 sonetos, coligidos depois em 1918 no título Ânfora, sob o pseudónimo de Pedro de Menezes. Ainda sob o mesmo pseudónimo já publicara  os versos galegos Xente de Aldea (1912) e depois, Elogio da Paisagem (1915), As Treze Baladas das Mãos Frias (1916), Mais Alto (1917) e A Lenda do Rei Boneco (1920).
Como Alfredo Guisado estreou-se na literatura em 1913, com o livro de poemas Rimas da Noite e da Tristeza, seguido de Distância (1914). O seu último livro intitulou-se A Pastora e o Lobo (1974) e pelo meio são ainda de destacar  As Cinco Chagas de Cristo (1927) e Tempo de Orfeu 1915-1918 (1969). Usou o pseudónimo sendo modernista e, com o seu nome próprio foi também simbolista, decadentista e saudosista.
Licenciado em Direito desde o ano de 1921, Alfredo Guisado envolveu-se na política enquanto militante do Partido Republicano Português, tendo sido deputado, Presidente do Conselho Geral das Juntas de Freguesia de Lisboa, governador civil substituto de Lisboa (1922-1923) e vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1925).
Colaborou ainda em várias revistas e jornais, como a Alma Nova, a Atlântida, a Sudoeste e, o Diário de Lisboa e o Repúblicaonde foi até subdiretor e, como João Lobeira assinava a coluna «Papel Químico» e sátiras em verso ao Estado Novo.
Também se ligou ao movimento associativo tendo integrado a Associação dos Arqueólogos Portugueses e presidido à Sociedade Voz do Operário, para além de ter sido Presidente da Associação de Agricultores de Pias.
Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)
Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)



domingo, 19 de novembro de 2017



Recordar Alfredo Guisado  -  4





Alfredo Guisado
[Lisboa, 1891 - Lisboa, 1975] 
Alfredo Guisado




Poeta modernista de ascendência galega, que adoptou para algumas das suas publicações o nome de Pedro de Meneses e, uma ou outra vez, o de Alfredo Pedro Guisado. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1921, nunca exerceu a advocacia. Foi vice-presidente da comissão executiva da Câmara Municipal de Lisboa e deputado, e tomou parte activa no Partido Republicano Português. Como jornalista, colaborou nos jornais Rebate e República, tendo sido director-adjunto deste, na última fase. A sua família era proprietária do Restaurante Irmãos Unidos, ao qual a nossa história literária viria a associar o seu nome, o de Pessoa e o de todos aqueles que, em torno deOrpheu, aí muitas vezes se reuniam. É o volume de versos Distância que marca a estreita identificação de Alfredo Guisado com a estética do paulismo, em consonância com a então recente publicação, por Fernando Pessoa, das «Impressões do Crepúsculo» (ou «Pauis», como ficaria mais conhecido o poema que vem a estar na origem de toda uma teorização estética que motivou e caracterizou os poetas de Orpheu), no número único da revista Renascença(1914). Os «Treze sonetos» que Alfredo Pedro Guisado publica em 1915 no primeiro número deOrpheu confirmam essa filiação. E, se em 1916 em recensão crítica publicada na revistaExílio, Fernando Pessoa, entretanto já mais sensacionista que paúlico (cf. carta de 19-1-1915, in F. Pessoa, Cartas a Armando Côrtes-Rodrigues, cit. por Nuno Júdice, in A Era do «Orpheu», 1986, p. 39: «Passou de mim a ambição grosseira de brilhar por brilhar, e essa outra, grosseiríssima, e de um plebeísmo artístico insuportável, de querer épater. [...] E por isso não são sérios os Pauis [...]. Hoje sinto-me afastado de achar graça a esse género de atitude.»), reivindica para o Elogio da Paisagem uma filiação sensacionista, a verdade é que «a exuberância abstracto-concreta das imagens», a «riqueza da sugestão na associação delas» e a «profunda intuição metafísica» que lhes atribui já eram características do paulismo – como notam Gaspar Simões (História da Poesia Portuguesa do Século XX) e Fernando J. B. Martinho (Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa - Do «Orpheu» a 1960). Nesse sentido, e até por um certo número de constantes formais da sua poesia, o nome de Alfredo Guisado, ou, mais ainda, o de Pedro de Meneses, está muito mais próximo de Mário de Sá-Carneiro do que de Fernando Pessoa. Porque a adopção do criptónimo, ainda que queira de algum modo responder ao «apelo» heteronímico de Pessoa, não ilude afinal uma personalidade una: aquela que, pelo uso e abuso da maiusculação, pela justaposição de palavras, pela frequência das frases infinitivas, por diversas violações da sintaxe – de que se destaca a regência de verbos intransitivos com objecto directo – e por preferências temáticas de ressonâncias orientalizantes ou bíblicas, como «Salomé» (tema, aliás, também tratado por Mário de Sá-Carneiro), compromete definitivamente este poeta como aquele que mais fortemente absorveu a influência paúlica. Mas em quem, no entender de Fernando Martinho (op. cit.), o paulismo nunca deixou de ser aquilo a que o próprio Pessoa chamou a «corrente cuja primeira manifestação nítida foi o simbolismo», por oposição ao sensacionismo enquanto «atitude enérgica, vibrante, cheia de admiração pela Vida, pela Matéria e pela Força, que tem lá fora representantes como Verhaeren, Marinetti, a condessa de Noailles e Kipling» (Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação). E isto mesmo com a ressalva – que aqui deve ser feita – para o carácter difuso das fronteiras que seus próprios teorizadores mal definem no estabelecimento destas dicotomias. À parte, porque de características muito específicas, deverá ser considerado Xente d'Aldea, versos galegos onde «Guisado [aliás, Pedro de Meneses, que também assim este livro é subscrito] chama a si toda a ternura da sua ancestralidade galega», tirando «belo partido do sabor tão doce dessa versão arcaizante da nossa língua que se fala nas aldeias para além-Minho, com os seus meigos diminutivos» (Óscar Lopes, História Ilustrada das Grandes Literaturas - Literatura Portuguesa - Época Contemporânea) e onde «a evocação da terra, paisagem e tipos ressalta em pequenos quadros dialogados de costumes, deliciosos de autenticidade, e a que nem mesmo falta a nota discretamente heróica de uma resistência à absorção castelhanizante e sobretudo à exploração social» (ibidem). Uma outra forma de saudosismo, esta de intenção mais patriótica, marca As Cinco Chagas de Cristo, onde retoma o nome: Alfredo Pedro Guisado.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994




















sábado, 18 de novembro de 2017





Fui ao CCB ouvir a conferência do ANTÓNIO VALDEMAR  - uma notável lição de literatura !





Literatura e Pensamento

Dia Literário Raul Brandão



A personalidade e a obra de Raul Brandão estão associadas, em 2017, a dois acontecimentos relevantes: a comemoração dos 150 anos do nascimento do escritor e o centenário da publicação do livro Húmus. 
As duas efemérides vão ser assinaladas com uma intervenção de António Valdemar sobre a criação do escritor, as figuras da época, os movimentos políticos, militares, sociais e culturais e ainda os locais do Porto, de Guimarães, de Lisboa, dos Açores e da Madeira, mencionados nos seus livros. Haverá, ainda, a leitura de textos de Húmus, por José Fanha.
A sessão será ilustrada com uma apresentação concebida pelo designer Álvaro Carrilho, autor de outros trabalhos  que tem efetuado, na última década, para a Academia das Ciências,  para o Grémio Literário, para a Biblioteca Museu da Resistência e da República e outras instituições culturais e cívicas.

Raul Brandão nasceu a 12 de março de 1867, na Foz do Douro, estudou no Colégio São Carlos e no liceu do Porto, frequentou o Curso Superior de Letras (1888) e matriculou-se na Escola do Exército, em 1891. Concluiu o curso, em 1894, tendo sido colega dos futuros Presidentes da República Sidónio Pais e Óscar Carmona. Exerceu funções em Lisboa, no Porto e em Guimarães. Quando se encontrava nesta cidade, casou, em 1897, com Maria Angelina. Reformou- se do posto de capitão em junho de 1911. Adquiriu, em 1912, a casa do Alto da Nespereira, na periferia de Guimarães, onde passava parte do ano (dedicando-se à agricultura) e a outra parte em Lisboa, primeiro na York House, depois em casa própria na Rua de São Domingos à Lapa, onde faleceu a 5 de dezembro de 1930.
Desde 1902, ao radicar-se em Lisboa, teve intensa atividade no jornalismo, no Correio da Manhã, no Dia e no República, dirigido por António José de Almeida. Muitos dos textos das suas memórias foram redigidos, em forma definitiva, a partir de notícias, reportagens e crónicas publicadas naqueles e noutros jornais e revistas.
A sua relação com Teixeira de Pascoais data de 1914, colaborando na revista Águia e no movimento Renascença Portuguesa. Publicou Húmus, a sua obra principal, em novembro de 1917. Fez parte do Grupo da Biblioteca, quando Jaime Cortesão era diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa. Pertenceu ao núcleo dos fundadores da Seara Nova. Frequentou o ateliê de Columbano, que lhe fez vários retratos, e as tertúlias da Brasileira do Chiado e da Bertrand. Atualmente, a Relógio d’Água tem estado a reeditar Raul Brandão – em edições críticas e prefaciadas por especialistas na matéria – na série Obras Clássicas da Literatura Portuguesa, iniciativa da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, com o patrocínio do Ministério da Cultura.

Leitura e interpretação de textos José Fanha
Diaporamas Ántónio Carrilho
Organização António Valdemar

Produção | CCB









































António Valdemar - José Fanha - Álvaro Carrilho
















Recordar Alfredo Guisado  -  3














sexta-feira, 17 de novembro de 2017



Recordar Alfredo Guisado  -  2















Alfredo Pedro Guisado (Lisboa30 de Outubro de 1891 - 2 de Dezembro de 1975) foi um poeta, deputado, político e jornalista português. Colaborou na edição n.º 1 da revista Orpheu, sendo considerado o mais injustamente esquecido poeta de Orpheu.



Biografia

Alfredo Pedro Guisado, poeta de ascendência galega, nascido a 30 de Outubro de 1891, na praça D. Pedro IV, número 108, em Lisboa, filho de Benita Abril Gonzalez e de António Venâncio Guisado, naturais de Pias, aldeia do município de Ponteareas, província de Pontevedra, Espanha. Seus pais, proprietários do restaurante Irmãos Unidos no Rossio, local de reunião do grupo do Orpheu, onde funcionou com hotel até 1930, nos andares do mesmo prédio, e onde existia também uma famosa adega com entrada na Praça da Figueira. Neto de Josefa Toucedo Pérez e de Domingo António Guisado Carrera, pela parte paterna, e de Rita Gonzalez Meneses e Florêncio Abril, pela parte materna, todos naturais da já referida aldeia de Pias.
Colaborou no primeiro número da revista Orpheu com um conjunto de Treze Sonetos, que mais tarde incluirá no livro Ânfora, juntamente com Fernando Pessoa, Armando Cortes Rodrigues, José Pacheco, Luís Montalvor, Mário Sá Carneiro, José de Almada Negreiros, António Ferro, Ronald de Carvalho e Eduardo Guimarães. Em Junho de 1915, afastou-se do grupo, juntamente com António Ferro, por divergências políticas.
Estudou no Liceu do Carmo e formou-se, em 1921 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
No ano de 1921, casou-se com Maria Guilhermina Ferreira, com a qual teve dois filhos: Alfredo António Ferreira Guisado e Palmira Ferreira Guisado.

Placa evocativa do nascimento de Alfredo Pedro Guisado, Praça D. Pedro IV, nº108, Rossio-Lisboa
Foi militante do Partido Republicano Português, desempenhou vários cargos político-administrativos, entre os quais o de governador civil de Lisboa, Presidente do concelho geral das juntas de freguesia de Lisboa, Vice Presidente da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro dos jardins, parques e cemitérios (responsável pela atribuição do nome de alguns poetas a algumas ruas da cidade, pelo forno crematório do cemitério do Alto de São João, pela colocação da estátua do poeta Chiado no largo com o mesmo nome, etc.). Participou na reforma do código administrativo de 1922 e foi o mais novo deputado da Assembleia da República à época.
Colaborou em jornais e revistas como: Debate, El Tea (jornal agrarista galego, da região de Ponteareas, dirigido pelo seu amigo Amado Garra, onde escrevia assinando como Alfredo Pedro Guisado, Alfredo Guisado, Alfredo Abril, Refaldo Brila), A Galera, Exílio (revista da qual foi fundador juntamente com António Ferro e Armando Cortes-Rodrigues), Alma Nova (colaborou na segunda série 1915-1918), Centauro, Portugal Futurista, Riso d'a Vitória (onde escrevia com o pseudónimo de Alfredo Abril, 1919-1920), Atlântida (1915-1920), Sudoeste [1] (1935), O Século, A Águia, Diário de Lisboa e A República (jornal do qual foi Director adjunto, Presidente do concelho fiscal da editorial República e mantinha várias secções, entre as mais conhecidas O Papel Químico e Arcas Encoiradas, onde escrevia artigos satírico contra o regime Salazarista, assinando com o pseudónimo de João da Lobeira e Domingos Dias Santos.
Na Galiza, na região de Ponteareas e Mondariz, foi considerado um agente difusor do Nacionalismo e Agrarismo Galego, desempenhou cargos como: Presidente da Associação de Agricultores de Pias, Presidente do Partido Judicial dos Agricultores de Ponteareas, Presidente da Assembleia General de la Unión Agrária de Galicia e foi um dos responsáveis da tentativa da fundação do Banco Galicia-Portugal.
Membro da Sociedade de Geografia e da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio, foi também Presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores, Presidente da Voz do Operário e Presidente do Centro Escolar Republicano António Botto Machado.
Estreou-se como poeta publicando um volume de versos intitulado Rimas da Noite e da Tristeza, em 1913. Nada fazia prever que o autor dessas rimas, de sentido anedótico e ingénua concepção, viesse a adoptar, em pouco tempo, um estilo perfeitamente antagónico do aquele que caracterizou os versos da sua estreia.

Placa da Rua Alfredo Guisado, Benfica-Lisboa

Retrato de Fernando Pessoa, José de Almada Negreiros, Restaurante Irmãos Unidos, 1954

Retrato de Fernando Pessoa, José de Almada Negreiros, Fundação Calouste Gulbenkian, 1964

Alfredo Pedro Guisado, Cidadão de Lisboa
Alfredo Guisado também escreveu poesia usando o pseudónimo de Pedro de Meneses. No entanto, Pedro de Meneses, apesar de se assemelhar a Fernando Pessoa na tentativa de duplicação da personalidade, seguia de perto a imagética e o estilo Sá Carneiro, adoptando-lhe, inclusivamente, o vocabulário, as imagens, os giros estilísticos, a misteriosa e secreta maiusculação das palavras chaves (tal como MimForma, entre outras), os verbos intransitivos com complemento e a formação de palavras compostas. Pedro de Meneses exprime, com aplicação, um aspecto metódico do modernismo e, quando mais tarde volta a recuperar o seu nome verdadeiro, encontra-se de novo voltado para o velho saudosismo.
Alfredo Pedro Guisado foi um poeta heráldico que cultivava uma imagem luxuosa e aristocrática. Faleceu em Lisboa que lhe dedicou o nome de uma das suas ruas em Benfica.

Quadro de Fernando Pessoa por José de Almada Negreiros

Em 1954, o irmão de Alfredo Pedro Guisado, António Guilherme Guisado, dono do restaurante Irmãos Unidos, sito no número 108 da praça D. Pedro IV - Rossio-Lisboa, local de reunião do grupo Orpheu e sitio que serviu de escritório do grupo, encomendou a José de Almada Negreiros um quadro com a representação de Fernando Pessoa (expoente máximo do modernismo e do Orpheu), para expor no seu estabelecimento, onde seria colocado ao lado de uma placa comemorativa da fundação do grupo Orpheu (placa doada em 1970, por António Guilherme Guisado, à Câmara Municipal de Lisboa). Em 14 de Janeiro de 1970 o quadro foi vendido ao antiquário Joaquim Mitnitzky, no leilão dos Irmãos Unidos, por 1300 contos, um valor de venda invulgarmente alto para a época, tendo sido durante vários anos o quadro português de um autor vivo com o valor de venda mais alto. O banqueiro Jorge de Brito, que ainda em 1970 comprou a pintura a Mitnitzky no Salão de Antiguidades, doou-o anos mais tarde à Câmara Municipal de Lisboa, e actualmente pode ser visto na Casa Fernando Pessoa.
Em 1964, Almada Negreiros realizou uma cópia deste quadro, uma simetria do primeiro, que foi encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Ambos os quadros representam Fernando Pessoa sentado num restaurante (discutido
muitas vezes qual restaurante é, existindo como hipóteses: Irmãos Unidos, Martinho da Arcada e Brasileira) com o número dois de Orpheu sobre a mesa. Pessoa é descrito como sendo um homem frágil, de olhar míope, como ausente, dobrado a escrever, os pés cruzados, tal e qual a figura do arlequim. O quadro é uma pintura sem sensualidade e uma imagem sem sentimentalismo, traduzindo uma visão em profundidade, introspectivo, mas discretamente detida numa superficialidade aparente". O quadro é das maiores representações do Cubismo Português.

Obras publicadas


Rimas da Noite e da Tristeza, Alfredo Pedro Guisado
  • 1913 - Rimas da Noite e da Tristeza, Alfredo Pedro Guisado

    Distância, Alfredo Pedro Guisado


  • 1914 - Distância, Alfredo Pedro Guisado
  • 1915 - Elogio da Paisagem, Pedro de Meneses
  • 1916 - As Treze Baladas das Mãos Frias, Pedro de Meneses
  • 1917 - Mais Alto, Pedro de Meneses
  • 1918 - Ânfora, Pedro de Meneses
  • 1920 - A Lenda do Rei Boneco, Pedro de Meneses
  • 1921 - Xente d'aldea (em galego), Alfredo Pedro Guisado/Pedro de Meneses
  • 1927 - As Cinco Chagas de Cristo, Alfredo Pedro Guisado/Pedro de Meneses
  • 1969 - Tempo de Orpheu, Alfredo Pedro Guisado
  • 1974 - A Pastora e o Lobo e outras histórias. Contos para as crianças, Alfredo Pedr