sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Desde que em 31 de Outubro de 1903 Bernardino Machado fez a sua profissão de fé republicana, na célebre conferência realizada no Ateneu Comercial de Lisboa, passou a ser intensa a sua actividade política, fazendo parte da Comissão Reorganizadora do Partido Republicano na Região Central e depois do Directório do Partido. Foram inúmeras as suas intervenções em comícios e conferências.

No ano de 1908, no dia 27 de Junho faz um discurso na Festa Aniversária da "Escola 31 de Janeiro", e no dia seguinte intervem no Comício Republicano, realizado na Avenida D. Amélia.

Recordando uma das conversas com o meu querido Amigo Lino da Silva, em que eu ouço mais do que falo, lembrei-me de digitalizar o discurso que Bernardino Machado pronunciou na Escola 31 de Janeiro, e a que deu o título "Só a republica é a verdade."














segunda-feira, 17 de agosto de 2009





Os manifestos políticos de Bernardino Machado escritos durante o segundo exílio


Digitalizámos o original do manifesto - "Investida clerical nos Tribunais" - 1929




“Neste extenso libelo acusatório contra a ingerência da Igreja no foro civil, Bernardino Machado faz como que uma história do Poder Legislativo nos últimos cem anos, dissertando, ao mesmo tempo, sobre a missão dos professores de Direito e a preparação que deviam ter.” – A. H. de Oliveira Marques



Para leitura clicar nas imagens


sexta-feira, 14 de agosto de 2009






O meu blogue-
- Uma previsão de Bernardino Machado!

“…E esse Manecas, que me orgulha como historiador do avô, por quem já se bateu valentemente, é heróico de espírito e de coração. Raros correligionários me honram tanto. E a sua dedicação consola-me muito do esquecimento mortuário a que as desgraçadas lutas da nossa terra condenam os esforços tenazes ainda dos que mais se sacrificaram por amor dela.” - 29/X/1932


Para o Professor Doutor Norberto Cunha, com um cordial abraço de gratidão.







Fotografia oferecida por Bernardino Machado ao neto Manuel ("Manecas") em 1941


quarta-feira, 12 de agosto de 2009





Correspondência e recordações



É inúmera a correspondência trocada entre meu Avô e os meus Pais que ainda conservo, pois tenciono, como já prometi, enviá-la para o Museu Bernardino Machado.
O afecto que Bernardino Machado sempre manifesta a meu Pai, vem do tempo da Universidade de Coimbra.
Meu Pai, Alberto de Sá Marques de Figueiredo, fez os cursos de Matemática e Filosofia Natural em Coimbra, nos anos de 1900 a 1905, recebendo as mais elevadas classificações (conservo os diplomas que lhe foram então entregues).
Frequentou o Curso de Antropologia de 1904/5, e quando terminou a formatura ofereceu ao Professor a sua fotografia, com a respectiva pasta de quintanista. Meu Avô não deixou de agradecer a gentileza, num simpático cartão, enviado para a Beira, onde já se encontrava o jovem doutor.
Logo no ano seguinte pede o apoio do “veterano” para o filho do seu amigo Manuel Pais.
Meu pai começou a leccionar no Liceu de S. Domingos, Liceu Central de Lisboa, em 1906. Com a vinda para o mesmo estabelecimento de ensino, em 1907, do filho mais velho de Bernardino Machado, as relações de Coimbra, já amistosas dos dois, de meu pai e do António Machado, continuam. É a vinda para Lisboa de Bernardino Machado, após a exoneração de Lente da Universidade, que condiciona o casamento de meu Pai, em 1912, com uma das suas filhas mais velhas. Nessa data, já meu Pai leccionava no Liceu Camões, inaugurado em 1908, por D. Manuel II.
Neste liceu e na Escola Industrial Fonseca Benevides, meu Pai trabalhou até 1934, quando foi “convidado” a aposentar-se… Nos últimos anos, com a perda progressiva da visão, e cegueira por descolamento de retina, regia as turmas com tal mestria, que a maioria dos meus colegas do liceu, me afirmava, “que meu pai via mal, mas o suficiente para os ensinar e corrigir…”. Ainda há pouco tempo, um antigo “chefe de turma” de meu Pai, o bondoso Nuno Caetano, recordava o respeito que todos os colegas manifestavam ao professor.
Meu Pai teve um grande desgosto, e ficou muito perturbado, com a decisão dos órgãos liceais (era Reitor do Liceu Camões o professor Manuel Cristiano de Sousa, um defensor ferrenho do Estado Novo…).
Transcrevo a carta que meu Avô escreveu a meu Pai, sobre a aposentação.



O Curso de Filosofia de 1904/5 reunido com os Professores de Antropologia, Bernardino Machado e Henrique Teixeira Bastos; na primeira fila, sentado à direita, está meu pai; de pé à esq. está o aluno do 4º ano de Filosofia - António Machado






Fotografia oferecida por meu pai a Bernardino Machado, no final do curso.







Agradecimento de Bernardino Machado.








Carta de Bernardino Machado para o "veterano", Alberto de Sá Marques de Figueiredo.



Envio de saudades para os noivos!

Meu Pai ladeado por meu irmão Luís e pelo Professor Doutor Álvaro Rodrigues Machado, da Universidade do Porto, que o acompanhou durante o "processo" de aposentação.







terça-feira, 11 de agosto de 2009



Bernardino Machado - O regresso a Portugal em 1940


Quando se deu a invasão da França pelas tropas nazis, Bernardino Machado encontrava-se em Biarritz, acompanhado de sua filha Elzira, que então o secretariava; sua mulher e a filha Sofia, estavam em Lisboa, residindo em casa de meus pais, na Avenida Duque d'Ávila.
Em 15 de Junho de 1940 as forças hitelarianas entram em Paris, assinando Petain o acordo de rendição com a Alemanha, em 22 desse mês. No dia 26 Bernardino Machado parte de Biarritz com destino a Portugal.






Transcrevemos o depoimento de Jaime Cortesão, que se encontrava também em Biarritz, com sua mulher e filha:






Damos conhecimento de uma carta, de 17 de Maio (já "aberta pela autoridade militar"), e de um postal, de 9 de Junho, dirigidos a meu Pai.