quarta-feira, 5 de novembro de 2014




Republicanos esquecidos!  -  Arnaldo Fonseca

Com um abraço de gratidão para o António Valdemar, que tanto me tem ajudado!


Correspondência com Bernardino Machado







































Dados biográficos  -  Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira





Dados biográficos retirados da Hemeroteca Digital de Lisboa


 Arnaldo Fonseca (1868-1936?) foi fotógrafo profissional, com actividade em Lisboa ao longo das décadas de 1890 e 1900. Actividade que terá iniciado em contexto militar, como atesta a capa de uma  obra de sua autoria, o Manual-Guia do Photographo Amador, “por Arnaldo Fonseca, com o curso de  Marinha. Preparador do gabinete de Photographia da Escola Naval". Foi também professor de fotografia, investigador de processos fotoquímicos, pioneiro da fotografia aérea em balão (1896), fundador e dirigente da Sociedade Portuguesa de Photographia. Foi director técnico de pelo menos duas Oficinas de Fotografia, a primeira das quais, inaugurada em 1902, ocupava o n.º 38 da Praça dos Restauradores. Segundo a publicidade, que a partir de então ocupa as páginas do Boletim, oferecia “Photographia á luz artificial e natural, fora e dentro das officinas. Vasta galeria para retratos. Applicações industriaes e utilizações pictóricas da photographia. Todos os trabalhos de amadores. Ensino de Photographia. Gabinete de experiencias. Quartos escuros.”. A outra – Officinas Photographicas Camacho – de que temos registo a partir de 1906, ocupava o n.º 116 da Rua Nova do Almada. No âmbito da fotografia, publicou: Tratado Geral de Photographia (Theorico e Pratico), 1891 (reeditado até 1911); Guia prático de fotografia, 1899; Manual-guia do photographo amador, 1899; A fotografia das cores, pelo método directo, pelo método indirecto e pelo método misto, 1901? Guia do fotógrafo, 1905; La Proprieté Photographique, 1905; Pintura phorographica, 1906; A photographia em 12 lições, 1911 (2.ª edição).

Republicano, a jovem República portuguesa recompensou a sua adesão, com uma carreira diplomática, que começa em 1911, com colocações sucessivas como cônsul em Manaus, Vigo, Verin, Cantão, Baía, Porto Alegre e Marselha, Lyon, com a Comenda da Ordem de Cristo, com a distinção de Cavaleiro da Ordem de Santiago e da Legião de Honra, e com um louvor, em 1912, pelos relevantes serviços prestados na fronteira durante as incursões monárquicas. 1911 é também o ano em que, mercê da nova actividade profissional, abandona a fotografia.



No blogue ULTRAPERIFÉRICO - clicar aqui - encontrámos estes dados:

Quem é Arnaldo Fonseca?
Tendo apenas disponíveis alguns dados biográficos, mas sem obras fotográficas
divulgadas em número significativo, sem arquivos ou colecções que disponibilizem
essas obras e sem estudos críticos publicados, continuaremos sem saber quem é
Arnaldo Fonseca, ou quem foi? - uma vez que o presente do indicativo apenas se
deveria aplicar a autores relevantes ("aqueles que por obras valerosas...").

Trata-se de mais um caso esquecido, típico do nosso ultraperiférico alheamento
cultural, ou será que o seu trabalho não possui relevância intelectual e artística?

Arnaldo Fonseca, fotógrafo profissional, com actividade em Lisboa ao longo das
décadas de 1890 e 1900, ter-se-à iniciado no meio militar (v. capa do "Manual-Guia
do Photographo Amador - Por Arnaldo Fonseca -
 Com o curso de Marinha. 
Preparador do gabinete de Photographia da Escola Naval".

Além de fotógrafo profissional, entre as inúmeras actividades no âmbito da fotografia,
destacou-se como professor, investigador de processos fotoquímicos, autor de
tratados técnicos para fotógrafos amadores, o primeiro dos quais (Tratado Geral de
Photographia, 1891) foi sucessivamente adaptado e actualizado em posteriores
reedições (até 1911), autor de importantes reflexões sobre direitos de autor (La
Proprieté Photographique,
 1905), director de periódicos como o Boletim
Photographico
 (1900-1914), onde publicou textos de crítica, fundador e dirigente

da Sociedade Portuguesa de Photographia (1907-1914). São-lhe ainda atribuídas
as primeiras experiências portuguesas de fotografia aérea, que terá levado a cabo
em 1896, realizadas a partir de balão.

Abandonou definitivamente a actividade fotográfica, em 1911, para se dedicar à
carreira diplomática ao serviço da 1ª República. Supomos que tenha saído do país,
desiludido com, deduz-se destas suas palavras, "a sacratíssima ignorância em que
nos espojamos mais ou menos suinamente".


(A maioria das informações contida neste post basearam-se na obra imprescindível
de António Sena, História da Imagem Fotográfica em Portugal, 1839-1997, 
ed.
Porto Editora, Porto, 1998)





Infante D. Manuel

  
 




















1 comentário:

paula disse...

Excelente trabalho! Muito bom!
Beijinho
Paulamego