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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018


Fotografia  tirada no Museu Bordalo Pinheiro
1938

Meus Pais trocavam correspondência, com frequência, com meus Avós, que, no exílio, iam assim tendo notícias da nossa Família. As saudades e a sua bondade estavam sempre expressas nas cartas.

Três das minhas irmãs chegaram a permanecer por algum tempo junto dos Avós e Tias, em Paris e Beyris.



Conservo recordações e a correspondência desse tempo. Lembro que numa das cartas meu Avô se refere à minha participação na Mocidade Portuguesa.



Quando da fundação desta organização oficial em 1936, frequentava o ensino secundário no Liceu Camões. Meus irmãos mais velhos foram dispensados, pela idade, de se inscreverem na Mocidade Portuguesa, o que não aconteceu comigo, que naquela data tinha 12 anos.

Meu Pai quis esclarecer-se sobre a organização juvenil criada. Marcelo Caetano que era Director dos Serviços de Cultura e Formação Nacionalista da Mocidade, tinha sido aluno de meu pai no Liceu Camões e morava na Rua Fernão Lopes, perto da nossa residência. Recordo ter acompanhado meu Pai na visita que fez a Marcelo Caetano, que lhe teria definido a Mocidade Portuguesa como uma organização patriótica, inspirada no escutismo de Robert Baden-Powell.
Cheguei a ter farda e desfilado ao som do Hino da Mocidade…

Por isso Bernardino Machado escreveu nessa carta para meu Pai, referindo-se a mim: “Quanto estranho que por vezes nas brincadeiras se torne “excessivo, quase violento”! Nunca o vi assim em La Guardia. Não será talvez efeito da farda? Os ingleses preferem aos exercícios militares os desportos, muitos deles jogos atléticos que foram primitivamente bélicos mas se transformaram em torneios pacíficos de briosa emulação juvenil.”







quinta-feira, 30 de julho de 2009

Bernardino Machado


Correspondência familiar



Meus Pais trocavam correspondência, com frequência, com meus Avós, que, no exílio, iam assim tendo notícias da nossa Família. As saudades e a sua bondade estavam sempre expressas nas cartas.
Três das minhas irmãs chegaram a permanecer por algum tempo junto dos Avós e Tias, em Paris e Beyris.

Conservo recordações e a correspondência desse tempo. Lembro que numa das cartas meu Avô se refere à minha participação na Mocidade Portuguesa.

Quando da fundação desta organização oficial em 1936, frequentava o ensino secundário no Liceu Camões. Meus irmãos mais velhos foram dispensados, pela idade, de se inscreverem na Mocidade Portuguesa, o que não aconteceu comigo, que naquela data tinha 12 anos.
Meu Pai quis esclarecer-se sobre a organização juvenil criada. Marcelo Caetano que era Director dos Serviços de Cultura e Formação Nacionalista da Mocidade, tinha sido aluno de meu pai no Liceu Camões e morava na Rua Fernão Lopes, perto da nossa residência. Recordo ter acompanhado meu Pai na visita que fez a Marcelo Caetano, que lhe teria definido a Mocidade Portuguesa como uma organização patriótica, inspirada no escutismo de Robert Baden-Powell.
Cheguei a ter farda e desfilado ao som do Hino da Mocidade…

Por isso Bernardino Machado escreveu na carta para meu Pai, referindo-se a mim: “Quanto estranho que por vezes nas brincadeiras se torne “excessivo, quase violento”! Nunca o vi assim em La Guardia. Não será talvez efeito da farda? Os ingleses preferem aos exercícios militares os desportos, muitos deles jogos atléticos que foram primitivamente bélicos mas se transformaram em torneios pacíficos de briosa emulação juvenil.”



Para ler as cartas, clicar sobre as imagens

















sábado, 20 de abril de 2019



No Museu Bordalo Pinheiro









Quando no passado dia 17 estive no Museu Bordalo Pinheiro, na conversa com Vasco Castro, recordei uma vista ao museu quando da minha juventude! Estava vestido com a farda da Mocidade Portuguesa e a fotografia tirada na  antiga entrada , junto à cerâmica "O lobo e a cegonha", conforme o esclarecimento que me tinha sido dado, há meses pelo Dr. João Alpuim. Aliás a fotografa está registada neste blogue, com comentários:  -  ver aqui  - https://manuel-bernardinomachado.blogspot.com/search?q=mocidade+portuguesa
















quinta-feira, 12 de agosto de 2010



O Dr. Amadeu Gonçalves, ilustre investigador e meu querido Amigo, transcreveu hoje no seu blogue literatura&filosofia(http://www.litfil.blogspot.com/) - um texto de Teixeira de Pascoaes, retirado do jornal "O Mundo", de 3 de Janeiro de 1905, que gentilmente me dedica. Desconhecia o artigo, que também para mim foi uma grande surpresa! Um apertado abraço de gratidão, Dr. Amadeu!




A "ORAÇÃO INAUGURAL"
DE
BERNARDINO MACHADO

Estava eu bastante doente quando a Oração Inaugural de Bernardino Machado, obra sublime de Verdade e de Justiça, deslumbrou a nocturna «Sala dos Capelos». Foi a primeira luz que se fez naquela espessa penumbra moral e intelectual. Há pouco tempo ainda consegui ler essas páginas imortais, onde vibra vitoriosamente um hino de amor e de esperança e onde transparece, num esplendor de glória, uma alma rara e puríssima de Eleito. Que admiração estupenda ampliou a minha alma! Que gratidão infinita eu senti por esse espírito heróico que concebeu tal discurso libertador! Que o concebeu e recitou com a firmeza inabalável e férrea serenidade de que apenas são capazes os que acreditam no que dizem. Bernardino Machado é um sincero e um crente. Em todos os seus livros preciosos e discursos extraordinários, a frase é simples como a sinceridade e firme como a Fé. Por isso ele arrebata e converte, e tão rapidamente fez sentir ao povo que nele existia a vontade realizadora das mais justas e legítimas aspirações populares. E assim é.
Nunca vi este homem perfeito percorrer uma rua, sem que os olhos dos transeuntes o não seguissem, comovidos. Quantas vezes o encontrei no meio de crianças esfarrapadas que lhe sorriem e de mendigos e de mendigos que o abençoavam! Em Coimbra, principalmente toda a gente pobre e trabalhadora o estremece. Bernardino Machado é um ar saudável e benfazejo para aquelas almas oprimidas e sufocadas. Entra nos casebres miseráveis como um raio de luz num subterrâneo, e aparece do meio das multidões ansiosas e revolucionárias, como uma força orientadora e imperecível. Não representa só uma aspiração política, mas também uma aspiração religiosa. Não é apenas o cidadão modelo, é um Homem. Não vive somente dentro das fronteiras portuguesas; vive também na humanidade. Não se apresenta apenas nos comícios a pugnar pelo ressurgimento da nossa raça, aparece também nas choupanas dos famintos e oprimidos a aliviar desventuras e desgraças. Bernardino Machado é o Raciocínio e o Sentimento. A Oração de Sapiência, deste ano, é o discurso meditado e sentido que se ouviu na Sala dos Capelos. Foi o primeiro sorriso de fraternidade dirigido por um mestre aos estudantes, e a primeira palavra anunciadora dum ensino moderno, livre e verdadeiro que será o factor primacial da salvação do País; mas foi, também, consequentemente, uma palavra destruidora. Ele abalou em todos os seus fundamentos, o velho e o jesuítico convento universitário. Destruiu o velho tempo para edificar o novo Templo. Por isso, a oração de Bernardino Machado é um verdadeiro facto histórico, duma importância enorme. É a única página bela da nossa História, nestes últimos tempos.
Já fui, infelizmente, estudante, de direito; vivi durante cinco anos naquela inquisitorial e miasmática atmosfera da Universidade, envenenadora de almas. Ouvi muitas Orações de Sapiência. Eram sermões fúnebres e sonolentos, cheirando a velhos latins da igreja, cobertos de teias de aranha de arqueológicas teorias, todas sujas do pó de ideias que morreram há muito, tresandando à terra infecta das prisões do Santo Ofício, que nos deixavam a nós, estudantes uma impressão, uma impressão terrível de asfixia, que nos causavam náuseas e enjoos intelectuais, como se nossos espíritos vogassem sobre encapeladas ondas de estupidez. Que diferença entre essas e roufenhas ladainhas e a oração do dr. Bernardino Machado! Verdadeira oração da religião moderna! Religião da Vida que há-de dar aos corpos a beleza da saúde e da força e as almas a perdição moral que reside na suprema Justiça. O sublime discurso de Bernardino Machado é um canto aureoral de Amor e de Liberdade que inundou a alma da oprimida mocidade portuguesa de radiosa esperança num futuro melhor.
Bernardino Machado, ao subir à cátedra, na Sala dos Capelos, devia ter causado aos estudantes a impressão de um sol que se levanta! E as sombras negras, sinistramente sentadas nas cadeiras doutorais, gelaram concerteza de pânico, ante a invasão súbita da Luz. Luz que não acalentou simplesmente a alma da mocidade portuguesa, mas também a de todos os portugueses que ainda são puros e inteligentes e que trabalham na formação dum novo Portugal honrado e livre. Refiro-me ao povo sofredor, que tem numa mão o cabo da enxada e na outra o Futuro. O povo é a única parte sã da nossa sociedade. Só ele poderá florir e frutificar. É terra inculta e virgem, a vida de sentir germinar no seu seio glorificando a semente do Ideal. O resto é podridão e esterilidade. As nossas chamadas classes preponderantes agonizam num charco de criminoso egoísmo e da estupidez, sem uma crença, sem uma ideia. E são elas que, apoiadas na força bruta das espingardas, tentam perder um Povo e assassinar uma Pátria! Desgraçado País, este, submetido a um regime criminoso e horrendo, que, há pouco tempo ainda, se definiu claramente, condenando a inocência, em Olhão, e tentando, no Porto, massacrar o Génio. É um regime que não se limita a atentar contra a riqueza material da Nação. O criminoso quer ir mais longe na prática de seus crimes. Quer assassinar o Espírito, esse fantasma que o aterroriza! Quer rastejar no lodo infecto, sem nada que o incomode. Puro engano! Pura ilusão! O pântano há-de ser enxuto, o foco pestilento há-de ser destruído. As palavras redentoras de Bernardino Machado, heróico obreiro, da nossa regeneração, que nova energia, que novo vigor insuflaram em todas as almas que esperam ver este morto Portugal quebrar a tampa do túmulo e ressurgir à luz bendita da Liberdade e da Justiça! Eis o motivo porque essas palavras são sagradas e divinas, são imorredoiras, e merecem o nosso eterno reconhecimento. Bernardino Machado é um dos grandes portugueses que mais merece o amor e a gratidão do Povo.

Teixeira de Pascoaes

segunda-feira, 2 de julho de 2012








No próximo dia 6, sexta-feira, às 21,30, profere a conferência "A Maçonaria na I República e no Estado Novo", o Professor Doutor António Ventura, da Faculdade de Letras de Lisboa.





Do portal do Museu Bernardino Machado  -  clique aqui , e do blogue "dopresente" do Dr Amadeu Gonçalves  -  clique aqui  , retirámos a notícia da nova exposição patente no Museu Bernardino Machado.

"Encontra-se no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, a exposição intitulada “O Estado Novo e as Mulheres”, a qual estará patente ao público entre Julho até 4 de Setembro do corrente ano. Organizada pela Biblioteca Museu República e Resistência, da Câmara Municipal de Lisboa, com a coordenação de João Mário Mascarenhas e textos de Helena Neves, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres” tem vinte e dois painéis com as seguintes temáticas: i) As Ditaduras Fascistas, ii) Os Ditadores, iii) Mobilização dos Ventres: política natalista e laboral, IV) O Antifeminismo, V) Organizações Femininas dos Regimes Ditatoriais, VI) A Lição de Salazar, VII) A Escola: «Oficina das Almas» femininas, VIII) A Elite Feminina, IX) OMEN: Obra das Mães para a Educação Nacional, X) OMEM: assistencialismo, XI) Mocidade Portuguesa Feminina: a formação, XII) Mocidade Portuguesa Feminina, XIII) MPF: Sentinelas da Alma de Portugal, XIV) MPF: religiosidade e nacionalismo, XV) MNF: Movimento Nacional Feminino, XVI) MPF: a imprensa, XVII) Culto ao Chefe e a Questão Colonial, XVIII) MNF: o serviço de embarque, XIX) MNF: o esvaziamento, XX) MNF: Madrinhas de Guerra e Natal do Soldado, XXI) OMEN: ruralidade como defesa da Nação, XXII) A Evolução do Regime e as Organizações de Mulheres. Pretendendo evidenciar, conforme a sinopse da organização, o género feminino como elemento essencial de veiculação e da mobilização política por parte do Estado Novo, retrata-se, à semelhança de outras ditaduras, a condição e o enquadramento social e cultural da mulher, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres”, agora patente no Museu Bernardino Machado, tem entrada livre."

















segunda-feira, 3 de junho de 2013



Uma carta de Malheiro Dias para Bernardino Machado



 


Carlos Malheiro Dias - "Romancista, dramaturgo, articulista e ensaísta. Filho de Henrique Malheiro Dias e de D. Adelaide Carolina de Araújo Pereira, natural do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, onde o escritor possuía vasta parentela por linha materna. Fez os primeiros estudos no Porto, no Colégio de Santa Quitéria, após o que deixou a cidade para frequentar a Faculdade de Direito de Coimbra. Não levaria muito tempo a desistir. Opta, então, pelo Curso Superior de Letras, de Lisboa, que acabará por terminar não sem que antes o tivesse interrompido para uma primeira estada prolongada no Brasil, país que se havia de tornar para ele numa segunda pátria.
Estreia-se nas letras com 18 anos, na revista A Semana, do Rio de Janeiro (23 de Setembro de 1893), onde assinará prolífica colaboração. No ano seguinte, 1894, publica (com o nome de Carlos Dias, que então adoptava) o livro Cenários : Fantasias sobre a História Antiga, livro incipiente carregado de influências. Dois anos depois é o escândalo de A Mulata, livro que fez que sobre Malheiro Dias se desencadeasse a maior das perseguições, a mais violenta das hostilidades, a tal ponto que ele achou por bem não só retirar-se do Brasil como abster-se de mencionar o romance na lista das suas obras publicadas (no centenário do seu nascimento, 1975, a Editora Arcádia, de Lisboa, publicaria, com prefácio crítico de Alexandre Pinheiro Torres, a primeira e única edição portuguesa deste livro).
Mas, dezenas de anos depois alguns espíritos brasileiros de maior susceptibilidade insistiam em recordar rancorosos o romance, como Carlos Maul, o qual, em O Globo (11 de Setembro de 1957), ainda desabafava: «Livro infame, em que nada do Brasil escapou ao insulto: povo, magistratura, exército, imprensa, literatura, recebem nessa novela enxurradas de lama.» Tais ataques não têm qualquer justificação. Nem os Brasileiros se poderiam ter escandalizado com o facto de A Mulata ser um livro escrito da forma mais ortodoxamente naturalista, porque o naturalismo já fora inaugurado no Brasil quinze anos antes (1881) por um livro que tem precisamente por título O Mulato e cujo autor é Aluísio de Azevedo.
Seja como for, hostilizado por quase todos os intelectuais brasileiros, Malheiro Dias regressa a Portugal, onde acaba então o Curso Superior de Letras. É nomeado administrador do 2°. Bairro do Porto, passando a chefe de gabinete do ministro das Obras Públicas e, já depois de casado, a deputado em 1902 e 1906 por Viana do Castelo.
Em 1900 publicara, entretanto, o Filho das Ervas, onde se espelha o drama dos filhos ilegítimos, livro que levará o brasileiro Eduardo Prado a dizer a João do Rio: «Eça desaparecido, o maior romancista da língua portuguesa é Malheiro Dias». No ano seguinte aparece Os Teles de Albergaria, cujo cenário político é o da monarquia liberal da segunda metade do século XX até ao 31 de Janeiro de 1891. Nestes dois livros mostra-se, à saciedade, como realmente o autor é um monárquico devotadíssimo, inimigo do constitucionalismo que transformara Portugal num país «contaminado pelas rivalidades das facções e pelos interesses dos partidos». A este romance segue-se a obra que podemos considerar como a melhor do romancista e até etapa importante na novelística portuguesa, Paixão de Maria do Céu (1902), onde já se está longe do naturalismo escolástico de A Mulata. Encontramo-nos mesmo na presença de um romance histórico realista, onde a Lisboa que aparece retratada é a das invasões napoleónicas e a da retirada de D. João VI para o Brasil. São, aliás, notáveis nesta obra as reconstituições históricas, nomeadamente a da partida do rei português para o Rio de Janeiro. A própria Maria do Céu é uma das maiores figuras femininas do romance português.
Quando tudo parecia indicar que o caminho estava aberto para Malheiro Dias se tornar realmente no verdadeiro sucessor de Eça de Queirós, ei-lo que envereda por outra novela histórica, O Grande Cagliostro (1905), onde o que ressalta é já um certo neo-romantismo historicista de tipo mundano e a preocupação excessiva de agradar ao leitor e de realçar, todavia, a forma como nos aparecem vivas personagens como Pina Manique, o príncipe D. José, filho de D. Maria I, etc. Deste romance fará Malheiro Dias uma peça de teatro que subiu à cena a 30 de Outubro de 1905, com enorme êxito. D. Carlos I, de quem era íntimo, condecora-o. A sua obra de criação literária esgotar-se-á, todavia, com mais um livro que publicará om 1907, A Vencida (novelas), e outra peça, Inimigas (1913), «retirada de cena por motivos políticos».
Entretanto sentir-se-ia irresistivelmente atraído pelo jornalismo e pela investigação histórica. O assassínio perpetrado contra o rei de Portugal e o príncipe herdeiro (1908) e a implantação da República (1910) tornam Malheiro Dias num homem desesperado e um tanto desorientado. Publica de seguida Quem É o Rei de Portugal (1908), Do Desafio à Debandada (2 vols., 1912), Zona de Tufões (1912), Entre Precipícios... (1913), Em redor de um grande Drama : Subsídios para uma História da Sociedade Portuguesa, 1908-1911 (1913), O Estado Actual da Causa Monárquica (1913), altura em que torna para o Brasil. Aí assume a direcção da Revista da Semana, funda a revista O Cruzeiro e arranca com a grande iniciativa que foi a História da Colonização Portuguesa do Brasil (3 vols., 1921). A sua contribuição nesta obra, como investigador, é de valor duvidoso, como já apontou Jaime Cortesão.
Até que chega a famosa polémica com António Sérgio. Malheiro Dias, outra vez em Portugal, publica Exortacão à Mocidade (1924), em que exalta a acção de D. Sebastião, que acabaria de ser condenada, com veemente agudeza crítica, por António Sérgio. Este insígne ensaísta replica com O Desejado (1924), demonstrando a inutilidade e loucura da expedição a Alcácer. Malheiro Dias publica nova edição de Exortação à Mocidade (1925), desta vez com um prefácio a atacar Sérgio. Este treplicará em Tréplica a Carlos Malheiro Dias sobre a Questão do Desejado (1925). O País encontra-se dividido entre as duas opiniões. É ainda de 1925 o livro de Malheiro Dias, O Piedoso e o Desejado, após o que torna a regressar ao Brasil.
Aí continua a sua vida pelo jornalismo, até que em 1935 o governo de Salazar lhe oferece o lugar de embaixador em Madrid. Malheiro Dias poderá, então, gozar na vida a estabilidade que nunca teve. Quando nesse mesmo ano regressa a Lisboa, encontra-se, todavia, muito doente. Afásico durante anos, aguardará apenas, na capital do seu país, que o venha acolher a morte. Mas antes de morrer proferirá estas palavras: «O António Sérgio tinha razão».
Carlos Malheiro Dias colaborou nos seguintes jornais e revistas portugueses e brasileiros: Perfis Contemporâneos; Correio da Manhã; Jornal do Comércio; Jornal do Brasil; O Cruzeiro; O País; Revista da Semana; A Ilustração Portuguesa. Prefaciou, com justeza crítica notável, o livro de estreia de Aquilino, Jardim das Tormentas, 1913."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Repressão no Estado Novo










 
 
Instrumentos de controlo da sociedade
 
 suspensão das liberdades fundamentais e criação de órgãos de repressão:
- polícia política (a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, mais tarde chamada PIDE, isto é, Polícia Internacional de Defesa do Estado);
- prisões políticas (como Peniche);
- campos de deportação (como o do Tarrafal, em Cabo Verde)
- estabelecimento da censura (à imprensa, rádio e a todo o tipo de espectáculos);
-  proibição dos partidos políticos (apenas se reconhecia a União Nacional, movimento de apoio ao governo);
 culto da personalidade (Salazar é considerado o "salvador" da Nação);
 
 nacionalismo (exaltação do passado e de certas épocas da história portuguesa para engrandecimento e orgulho da Nação);
 Ideologia Oficial:
- Partido Único - A União Nacional
 - Publicação do Decálogo do Estado Novo (carta definidora dos princípios orientadores)
- enquadramento e doutrinação da juventude (através da Mocidade Portuguesa);
- organização de forças paramilitares (como a Legião Portuguesa) para a defesa do regime;
- instituição do corporativismo (para assegurar a ordem social e controlar os trabalhadores).








 
Assim, ao longo da década de 1930, Salazar criou um Estado autoritário, antiparlamentar e antidemocrático que alterou radicalmente o país - a oposição passou à clandestinidade, a imprensa livre desapareceu e, por outro lado, impôs-se a obediência ao chefe. Os slogans "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" e "Deus, Pátria, Família" divulgaram-se como ideias maiores do Salazarismo.








Do portal da Torre do Tombo:

Processo de Jorge Amado








Medalha de Dorita Castel- Branco