quinta-feira, 25 de janeiro de 2018



ADELAIDE CABETE  -  1

Uma homenagem à Investigadora Doutora Isabel Lousada

Recordar Adelaide Cabete no dia do seu aniversário! 













A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene


Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)
Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)
Mais conhecida como propagandista republicana e feminista, a médica Adelaide Cabete também foi professora de Higiene e Puericultura do Instituto Feminino de Odivelas e em 1976 foi homenageada com a atribuição do seu nome a uma rua da Urbanização da Quinta dos Condes de Carnide .
Adelaide Cabete deu nome ao Impasse 1 do Plano de Urbanização da Quinta dos Condes de Carnide (Unor 36), pelo Edital municipal de 19/06/1976 que colocou toponímia exclusivamente feminina nessa Urbanização com a Rua Ana de Castro Osório (Rua B),  a Rua Maria Veleda (Impasse 3 e 4) e a Rua Guiomar Torresão (Rua E). Em 31/01/1978 um novo Edital acrescentou mais topónimos femininos no local: Rua Maria Brown (Rua C), Rua Públia Hortênsia de Castro (Impasse 2), Rua Adelaide Félix (Impasse 5) e Rua Manuela Porto (Impasse 6).
Adelaide_Cabete 2Adelaide de Jesus Damas Brasão Cabete (Elvas/25.01.1867 – 14.09.1935/Lisboa) foi uma médica e propagandista do feminismo em Portugal, que apesar de apenas ter começado a escolaridade depois de casar com o republicano Manuel Fernandes Cabete, concluiu o curso de medicina aos 33 anos, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, corria o ano de 1900, defendendo a tese de licenciatura «Protecção às mulheres grávidas pobres» e assim abriu em 1907 um consultório de médica obstetra e ginecologista na Baixa lisboeta, primeiro no 2º andar do nº 153 da Rua da Prata, que depois mudou em 1908 para a Rua Áurea nº 267 – 2º, e alterou novamente a partir de 1910 para a Praça dos Restauradores nº 13- 2º, com a sua sobrinha dentista Maria Brazão, onde deu consultas gratuitas para mulheres com baixos rendimentos e tornou também a sede do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.
Durante 17 anos, Adelaide Cabete foi também Professora de Higiene e Puericultura do Instituto Feminino de Odivelas,  tendo também dirigido um curso com a mesma temática na Universidade Popular Portuguesa, para além de ter redigido dezenas de artigos de carácter médico–sanitário em que manifestava preocupações sociais, assim como publicou as obras Papel que o Estudo da Puericultura, da Higiene Feminina, etc. Deve Desempenhar no Ensino Doméstico (1913), Protecção à Mulher Grávida e A Luta Anti-Alcoólica nas Escolas, ambos em 1924.
Empenhada na defesa dos ideais republicanos fundou em 1914  o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que presidiu durante mais de vinte anos e já antes, em 1909, com Ana de Castro Osório e Fausta Pinto de Gama, havia criado a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, movimento ligado ao partido republicano que apoiou a queda da monarquia constitucional. Adelaide Cabete reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto e o direito ao voto. Também fundou e dirigiu a revista Alma Feminina , entre 1920 e 1929, para além de colaborar com numerosas publicações periódicas como Educação Social, O Globo,  A Mulher e a Criança, O Rebate. Em 1925, Adelaide Cabete organizou em Lisboa o I Congresso Feminista e de Educação e  passados 3 anos, logo um segundo, assim como fez os primeiros congressos abolicionistas da prostituição.
Adelaide Cabete foi também Louise Michel na Maçonaria e chegou mesmo a Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926), sendo que em 1929 foi com o seu sobrinho Arnaldo Brazão para Angola desiludida com a implantação do Estado Novo e só voltou em 1934, já doente, estando sepultada no Cemitério do Alto de São João em Lisboa.
Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)
Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018


Fotografia  tirada no Museu Bordalo Pinheiro
1938

Meus Pais trocavam correspondência, com frequência, com meus Avós, que, no exílio, iam assim tendo notícias da nossa Família. As saudades e a sua bondade estavam sempre expressas nas cartas.

Três das minhas irmãs chegaram a permanecer por algum tempo junto dos Avós e Tias, em Paris e Beyris.



Conservo recordações e a correspondência desse tempo. Lembro que numa das cartas meu Avô se refere à minha participação na Mocidade Portuguesa.



Quando da fundação desta organização oficial em 1936, frequentava o ensino secundário no Liceu Camões. Meus irmãos mais velhos foram dispensados, pela idade, de se inscreverem na Mocidade Portuguesa, o que não aconteceu comigo, que naquela data tinha 12 anos.

Meu Pai quis esclarecer-se sobre a organização juvenil criada. Marcelo Caetano que era Director dos Serviços de Cultura e Formação Nacionalista da Mocidade, tinha sido aluno de meu pai no Liceu Camões e morava na Rua Fernão Lopes, perto da nossa residência. Recordo ter acompanhado meu Pai na visita que fez a Marcelo Caetano, que lhe teria definido a Mocidade Portuguesa como uma organização patriótica, inspirada no escutismo de Robert Baden-Powell.
Cheguei a ter farda e desfilado ao som do Hino da Mocidade…

Por isso Bernardino Machado escreveu nessa carta para meu Pai, referindo-se a mim: “Quanto estranho que por vezes nas brincadeiras se torne “excessivo, quase violento”! Nunca o vi assim em La Guardia. Não será talvez efeito da farda? Os ingleses preferem aos exercícios militares os desportos, muitos deles jogos atléticos que foram primitivamente bélicos mas se transformaram em torneios pacíficos de briosa emulação juvenil.”







domingo, 21 de janeiro de 2018



"Introdução" de Norberto Ferreira da Cunha ao Tomo 6 - III Política  -  Obras de Bernardino Machado  -  (continuação) 

















sábado, 20 de janeiro de 2018

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           


Continuação da "Introdução" de Norberto Ferreira da Cunha ao Tomo 6 - III Política -  Obras de Bernardino Machado
Professor Doutor Norberto Ferreira da Cunha





















sexta-feira, 19 de janeiro de 2018










O Pensamento activo de Bernardino Machado


Após o Sidonismo  -  1919/1920




Tenho nas minhas estantes o Tomo 6 da  Obra “Política III” de Bernardino Machado, prefaciado pelo Professor Doutor Norberto Ferreira da Cunha, Coordenador Científico do Museu Bernardino Machado.


O Tomo 6 das Obras Políticas de Bernardino Machado divide-se em 2 partes:
1. Contém uma introdução que sintetiza o pensamento de Bernardino Machado, durante o ano de 1920;
2. É constituída por um conjunto de textos das suas intervenções parlamentares, desde os fins de 1919, até ao final de 1920.
Os temas deste volume subdividem-se em estruturais e centrais:
- Entre os primeiros, salienta-se o poder executivo, o poder legislativo, o poder judicial e as questões socioeconómicas;
- Entre os segundos: os partidos políticos, o dezembrismo e a revolta monárquica de 1919, a questão colonial e a política externa (a Conferência de Paz, a Sociedade das Nações e as relações com o Brasil).



Sessão de apresentação do Tomo 6 das Obras Políticas de
Bernardino Machado - 28 de Janeiro
Dr.  Leonel Rocha (Vereador do Pelouro da Educação)
 e  Professor Doutor
Norberto  Ferreira da Cunha









As cartas trocadas entre Bernardino Machado e Correia Barreto (Presidente do Senado) retiradas do livro
 "No Exílio": -













terça-feira, 16 de janeiro de 2018














Do portal do


Bernardino Luís Machado Guimarães

1895/99 - Bernardino Luís Machado Guimarães - Rio de Janeiro, 28-3-1851 – Porto, 29-4-1944.
Bernardino Machado nasceu e passou a infância no Brasil até aos nove anos, quando a família se estabeleceu em Joane, concelho de Vila Nova de Famalicão, onde seu pai tinha propriedades e chegou a ser Juiz substituto e depois Vice-Presidente da Câmara Municipal, obtendo em 1870 o título de 1.º Barão de Joane.
Bernardino Machado faz o exame de instrução primária no Liceu Nacional do Porto e aos 16 anos matricula-se na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra e no ano seguinte acumula com Filosofia. Brilhante aluno, aos 22 anos obtem o Bacharelato em Matemática e em Filosofia. Dois anos depois faz a licenciatura em Filosofia e em 1876 o doutoramento na Universidade de Coimbra, onde em 1879 passa a lente catedrático.
Na sua actividade académica, cria as cadeiras de Antropologia e Paleontologia Humana Pré-Histórica na Faculdade de Filosofia de Coimbra, em substituição das de Agricultura, Zootécnica e Economia Rural. Cria-se um Museu de História Nacional.
Optara entretanto pela nacionalidade portuguesa, quando atingiu a maioridade. Aos 30 anos de idade é eleito deputado por Vila Nova de Famalicão e no ano seguinte casa com Elzira Dantas, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira. Eleito de novo por Lamego, apresenta no parlamento uma nova planificação para o Ensino Profissional em 1884. Propõe depois a instituição dos Liceus Femininos, em nome do princípio da igualdade de oportunidades na instrução juvenil. Começa a reger a Cadeira de Antropologia e é nomeado Professor Honorário da Instituición Libre de Enseñanza, de Madrid. Em 1889 participa no Congresso da Liga Internacional do Ensino Livre, em Paris e no ano seguinte está presidir à Academia de Estudos Livres, elaborando os estatutos da Liga Nacional de Educação Popular.
É eleito Par do Reino pelos estabelecimentos científicos e no ano seguinte colabora com João Franco no Plano de Reforma das Escolas e dos Institutos Industriais e Comerciais. É nomeado Director do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Em 1892 é vice-Presidente da Secção Portuguesa do Congresso Pedagógico Hispano Português Americano, em Madrid e preside ao 1.º Congresso do Magistério Primário.
Em 1893 foi nomeado ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, no ministério do Partido Regenerador, presidido por Hintze Ribeiro, cargo em que permanece 11 meses. Nomeia Alice Pestana para estudar, em vários países da Europa, os estabelecimentos de ensino profissional do sexo feminino e reorganiza o ensino Técnico-profissional. Promove a realização da Exposição Industrial Portuguesa e cria o Museu Etnográfico Português, nomeando José Leite de Vasconcelos para seu director.
Em 1896 Preside à Direcção do Instituto de Coimbra e dois anos depois, à Sociedade de Antropologia de Coimbra. Em 1900 Inaugura as "Conferências da Pedagogia", curso livre, efectuado aos domingos, na Universidade de Coimbra. Profere uma conferência na Associação da Mulher Pobre, defendendo os direitos cívicos das mulheres e começa a criticar a reforma do ensino universitário, pedindo em 1907 a exoneração de catedrático da Faculdade de Filosofia de Coimbra, em atitude de protesto contra a repressão do governo
Em 1903 faz a sua profissão de fé republicana através de conferência proferida no Ateneu Comercial de Lisboa, colaborando em 1908 na fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Colaborava também nos periódicos a Galeria republicana (1882-1883), o Xuão (1908-1910) e A republica portugueza (1910-1911).
Entre Fevereiro e Dezembro de 1914,numa tentativa de conciliação entre as várias fracções partidárias) preside aos 6º e 7º governos da 1ª República , em que acumulou a pasta do Interior e interinamente também a da Justiça. Apresenta então a declaração governamental sobre a intervenção portuguesa na Grande Guerra.
Em 1915 protesta contra o Governo de Pimenta de Castro, condenando o militarismo e a situação ditatorial  É eleito Presidente da República a 5 de outubro de 1915 e sua mulher Elzira Dantas Machado, funda e preside à Cruzada das Mulheres Portuguesas, organismo destinado a apoiar a intervenção de Portugal na Grande Guerra. Ele mesmo viaja por França e por Inglaterra visitando o Corpo Expedicionário Português (onde seu filho Bernardino presta serviço militar), sendo recebido pelos reis Afonso XIII de Espanha, Jorge V de Inglaterra e Alberto I da Bélgica.
A Junta Revolucionária de Sidónio Pais destitui Bernardino Machado do cargo de Presidente da República a 12 de dezembro de 1917 e ele é obrigado a sair de Portugal. Publica diversos manifestos contra o Sidonismo e regressa a Portugal em 1919
Em 1921 é de novo chamado a constituir Governo, assumindo a Presidência e a pasta do Interior, bem como interinamente a da Agricultura. Sendo à época presidente da Republica, António José de Almeida, este governo durou 81 dias.
A 1 de Dezembro de 1925 é de novo eleito Presidente da República. Cinco dias depois é preso o burlista Alves dos Reis e quando se dá a revolução de 28 de Maio de 1926 Bernardino Machado entrega o governo a Mendes Cabeçadas, acabando por se demitir da Presidência da República, quando o Governo encerrou o Parlamento a 31 de Maio.
Retira-se para a sua residência, no antigo forte de Santa Catarina, na Cruz-Quebrada (destruído em 1972). No ano seguinte, obrigado a sair de Portugal, parte para Vigo e mais tarde em La Guardia. Publica vários "Manifestos" contra o regime de ditadura e do Estado Novo, que o multa em 200 contos. Envia mensagens sucessivas aos chefes de Estado, e de Governo e à Sociedade das Nações protestando contra o reconhecimento oficial da ditadura portuguesa. Publica o manifesto "O Presidente Salazar" e em 1935 instala-se em Madrid, passando no inicio da Guerra Civil Espanhola, para França. Em 1936 é incluído na amnistia promulgada em Portugal, mas só em regressa em 1940, no contexto da 2.ª Guerra Mundial e
 1940 Regressa a Portugal, acompanhado de Jaime Cortesão. Estabelece residência no Palacete de Mantelães, que herdara do sogro, em Paredes de Coura. Fica viúvo dois anos depois e antes de morrer ainda recebe a visita do Almirante Gago Coutinho.
Autor de vasta bibliografia científica e política. Foi Cavaleiro da Ordem de Carlos III de Espanha em 1917, ano em que também recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Em 1980 foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Teve um importante percurso como dirigente da Maçonaria (na Loja Perseverança do Grande Oriente Lusitano). Em 1895 é eleito Grão-Mestre da Maçonaria, renunciando ao cargo em 1899. Em 1902 foi eleito venerável Honorário da loja "Pátria" em Coimbra. De 1929 até à sua morte em 1944 foi voltou a ser eleito para o Supremo Conselho do grau 33 da Maçonaria.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

domingo, 14 de janeiro de 2018

sábado, 13 de janeiro de 2018