segunda-feira, 24 de outubro de 2011



Sobre as comemorações em Lisboa do aniversário da eleição do Papa Pio XI, em Fevereiro de 1926








"Em 1923, D. Sebastião Nicotra, arcebispo titular de Heracleia, substituiu Mons. Locatelli no cargo de Núncio Apostólico em Lisboa; veio de navio, como então era frequente. A Ilustração Portuguesa, 7 de Julho de 1923, publicou esta excelente fotografia, mostrando o novo núncio a conversar com o chefe do protocolo de Estado que, no começo desse ano, ajoelhara na imposição do barrete cardinalício ao antecessor de Nicotra. O destaque da notícia revela a importância que a opinião pública portuguesa então atribuía ao Núncio. Nicotra morrerá em posto em Lisboa, depois do 28 de Maio de 1926." (Do blogue "Fátima")




O Núncio em Lisboa, D. Sebastião Nicotra, enviou agradecimentos pelas comemorações do aniversário da eleição do Papa Pio XI.

domingo, 23 de outubro de 2011




A propósito da intervenção do Bispo do Porto, D Manuel Clemente, transcrevemos as actas da Camâra dos Deputados e do Senado, referentes ao voto de congratulação pelo aniversário da eleição do Papa Pio XI




































sexta-feira, 21 de outubro de 2011




Intervenção de D. Manuel Clemente no encerramento das comemorações do centenário da República

1. Foi com algum imediatismo e atrevimento que anuí ao amável convite da Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia da República para participar neste encontro.
Li com todo o gosto e proveito o livro Da virtude e fortuna da República ao republicanismo em Portugal, coordenado pelos Professores Gomes Canotilho e Vital Moreira, com quem tive o gosto de integrar - além doutros ilustres membros e sob a presidência do Dr. Artur Santos Silva – a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Na referida leitura aprendi o que pude dos excelentes textos, em particular no que à obra de John Pocock e Jürgen Habermas diz respeito. E é sugestionado também por estas leituras que ao mesmo tempo as reduzo e extravaso nalgumas reflexões que se seguem, mais à minha limitada medida pessoal do que àquela que realmente mereciam.
Ambos apelaram ao realismo, quer na verificação do passado quer na assunção do presente. Realismo que inclua a natureza não unívoca das convivências, fossem quais fossem, onde fossem e quando fossem; realismo que analise a realidade presente sem iludir nenhuma das suas componentes, materiais ou espirituais, sem apriorismos que esqueçam umas ou outras.
Constatemos desde já – e facilmente o faremos – que antes e depois de 1910, como antes e depois de 1926, este realismo falhou em demasia. Não faltaram entusiasmos, idealismos ou voluntarismos, mas foi difícil ou impossível conviver com o contraditório e sucederam-se reducionismos epistemológicos de sinal oposto. Facilmente ficaram quase sós alguns atores principais, rapidamente se alhearam maiorias pouco ouvidas. Mesmo quando o não merecessem, uns e outras.

2. - De que história falamos ou prevemos na nossa pátria portuguesa, cem anos passados da implantação da República? - De que história “repatriada” pelas intransmissíveis responsabilidades imediatas e simultaneamente “expatriada” pela dimensão internacional do deve e haver que é agora o nosso? – Que nos sobra realmente do passado e assim mesmo o autentica por essa mesma realidade sobrante? – E o que somos diferentemente dele, para nos relançarmos com a novidade que se impõe?
Talvez seja mais fácil começarmos pelo que não fomos nem somos. Não somos um povo imediatamente unânime, fácil e conscientemente unânime, ainda que, por contraste ou última defesa, nos sentíssemos assim.
Antes de nos dividirmos entre decadentistas e neo-sebastianistas, do século XVIII para cá, sempre fomos críticos de nós próprios, mais até do que desconfiados dos outros. Cantigas de amigo ou de amor ouviam-se em contraponto com outras de escárnio e maldizer, com as letras todas e as alusões bem claras. Autos de devoção verdadeira entremearam-se com farsas acerbas, igualmente vicentinas. Estrofes d’ Os Lusíadas tanto cantaram glórias como choraram desenganos...
E tão português era quem zarpava como era o “velho” que permanecia no Restelo. Gestas da expansão tiveram muitos contrapontos em Gaspar do Couto ou Mendes Pinto… E assim até hoje, tirando picos extremos de sobrevivência geral, como seria a revolta antinapoleónica de há duzentos anos ou mesmo a indignação antibritânica de 1890… Pouco mais, realmente pouco mais. E mesmo o ícone tão pátrio dos painéis de Nuno Gonçalves, em dezenas de olhares que conjuntamente nos incitam, contém exceções que, olhando noutros sentidos, confirmam esta regra.
Qualquer um de nós que tenha nascido na primeira metade de novecentos, passou decerto a vida a rever a linearidade patriótica dos antigos livros da instrução primária. E pode ter sucedido agora mesmo que a considerável literatura em torno da República lhe tenha dado uma ideia mais exata e distendida da variedade interna dos acontecimentos de há cem anos.
Confesso-vos que comigo aconteceu assim, especialmente na área que versei das relações do novo regime com a religião tradicional do país: é muito pouco realista e operativo tratar de tal temática a partir de dois sujeitos coletivos e extremados, tantos são os contactos e os circunstancialismos de parte a parte.
- Quem era mais republicano em 1911 e seguintes, Afonso Costa, Manuel de Arriaga ou o Padre Casimiro de Sá, “representando” este no parlamento os sacerdotes, republicanos com provas dadas, que, podendo aceitar a separação Estado-Igreja, discordavam da lei de 20 de abril que, quanto a eles, usurpara esse nome? – Quem defendeu mais consistentemente o regime até bem perto do 28 de maio, António Lino Neto, líder católico no parlamento, ou alguns republicanos de sempre que se aproximaram do movimento militar?

3. Aludi acima aos textos de ou sobre Pocock e Habermas, agora felizmente publicados; e dizia que ambos apelavam ao realismo, quer na verificação do passado quer na assunção do presente, realismo que inclua a complexidade não unívoca das convivências pretéritas ou atuais.
Seleciono, a propósito, este trecho de Pocock e a sua referência ao filósofo alemão: “Mal posso exprimir a pena que tenho que ele [Habermas] não tenha conseguido juntar-se a nós, uma vez que ele lidou exaustivamente com a questão do diálogo entre cidadãos cujas culturas são diferentes uma da outra, e apenas coloco uma questão de entre as muitas para as quais ele teria resposta. Qual será o significado do adjetivo ‘pós-nacional’? Uma ‘nação’ pode ser definida como uma etnia comum ou uma outra identidade: mas o que acontecerá se for definida como um sistema político com uma memória ou história comum? A historiografia tem sido maioritariamente o produto dos estados e a maioria dos estados modernos tem uma história narrativa que pode não ser monotemática ou autoritária mas intensamente debatida…” (In Da virtude e fortuna da República, p. 29).
Retomo a grande pertinência destas questões, também agora, para o nosso caso de há cem anos. Uma exemplificação entre tantas, pode ser A Portuguesa, adotada como hino nacional pelo novo regime; como adotada estava pelos muitos que a cantavam há duas décadas já, desde que Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça a tinham composto, música e letra respetivamente, na sequência do ultimato inglês.
Das três estrofes de Lopes de Mendonça só é cantada geralmente a primeira. Mas, se as tomarmos todas, ressaltará uma consciência brumosa do passado, que só o tempo definiria por certo. Na verdade, é de “entre as brumas da memória” que finalmente ressoa a voz dos antepassados egrégios (1ª estrofe); e é à própria Europa que se pede que diga ao mundo que afinal ainda existimos, pois “brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu” (2ª estrofe); dum passado mais oculto do que claro é que se passará por fim à madrugada: “saudai o Sol que desponta sobre um ridente porvir” (3ª estrofe).
Nada de clareza, portanto, de trás para diante. Alma sim, mas à maneira romântica, como impulso, eco ainda de antigas andanças, em que se gritava: “Alma até Almeida e depois de Almeida alma também…”. E só isso permite compreender como 1910 se integrava na aspiração regeneradora, que já fora dos liberais - e se voltou a ouvir em 1974 e seguintes.
Do passado sobravam muitas leituras, da esquerda à direita, com projeções específicas da pátria a refazer. Houve regeneracionismos neomedievos, para recuperar comunas pré-absolutistas; houve regeneracionismos personalizados, reincarnando Joões segundos ou Pombais à escolha, que contrariassem inimigos diversos, aristocratas ou clericais; houve regeneracionismos anticatólicos, para retomar, quando muito, um cristianismo pré-tridentino; houve regeneracionismos religiosos, para dilatar “a fé e o império”; e houve, sempre disponível, um sebastianismo de serviço, mantendo o cavalo branco a sair das brumas – sempre as brumas – para sucessivos cavaleiros…
Houve de tudo um pouco, num passado de pretexto para combates do momento. Mas isto mesmo evidenciava dois pontos, igualmente importantes: primeiro que, mesmo divergente, havia a consciência vaga de que algo fora possível outrora, que permanecia apetecível agora; segundo, que essa consciência – ou quase um inconsciente coletivo – continuava a mobilizar frentes opostas mas igualmente dinâmicas.
A propensão urbana para a República ou a resistência monárquica doutros meios, alimentaram-se de tais impulsos de difícil definição e impossível conjunção; a não ser contra algum terceiro que aparecesse, dentro ou fora, como foi quase o caso da mobilização para a Grande Guerra, que até permitiria a oficialização de capelães militares.

4. Fosse como fosse, conseguiram-se algumas plataformas, de 1913 em diante. Refiro, compreensivelmente, a político-religiosa, que se revelou, aliás, mais fácil do que outras, entre os próprios grupos republicanos…
Foi nesse ano que os bispos propuseram militâncias católicas no quadro geral e aceite do regime novo, iguais entre iguais, inspirações entre inspirações. Foi nesse quadro também que o catolicismo oficial e político entrou abertamente no jogo democrático e parlamentar, sobretudo de 1919 em diante, afastando-se doutros crentes que continuavam a ligar a causa religiosa à restauração monárquica.
De 1920 a 1926 sucedem-se as expressões dum republicanismo mais aberto, onde caberiam os que quisessem, crentes de várias crenças ou nenhuma, regeneracionistas mais ou menos todos, menos definidos de passados estreitos para futuros parciais, ideologicamente parciais. E tanto assim é que, nos derradeiros anos do regime, deparamos com republicanos inquestionáveis a defender causas muito caras aos católicos – e não só! - e ouviremos alguns crentes de primeira linha a defender claramente a República.
Como sabemos, a legislação pós 5 de Outubro, não só acabou com a confessionalidade do ensino público como a afastou do particular. Pois bem, alinhando com Leonardo Coimbra, outros não monárquicos pronunciaram-se desta forma em 1923: “Estou absolutamente ao lado de Leonardo [Leonardo Coimbra demitira-se de ministro da Instrução, porque o parlamento rejeitara o seu projeto de liberdade de ensino religioso nas escolas particulares]. Concordo absolutamente com ele. Mais. Vou ainda mais longe. Eu queria ainda uma mais larga liberdade de ensino religioso. Uma liberdade que atingisse todas as escolas” (Raul Brandão, Diário de Notícias, 12 de janeiro de 1923). “O gesto de Leonardo Coimbra é o primeiro de ampla e profunda simpatia humana nesta República. […] O sentimento religioso tem sido sempre a força aperfeiçoadora da alma humana e a prova mais clara da sua realidade” (Teixeira de Pascoaes, A Pátria, 22 de janeiro de 1923). “Portugal é hoje o único país, o único! tome nota, onde há essa disposição bárbara e selvagem de proibir, nas escolas particulares, o ensino religioso. Acabemos com ela. É uma afronta. Uma vergonha” (Guerra Junqueiro, Diário de Notícias, 26 de janeiro de 1923)[1].
Como esclarecedoras são algumas declarações parlamentares do líder do Centro Católico Português, António Lino Neto. Assim a 20 de abril de 1923, definindo a posição católica: “Os católicos não reclamam situações de privilégio. Apenas querem liberdades comuns, para que todos se sintam bem e possam colaborar na obra progressiva que torne Portugal grande, política, moral e economicamente”. Ou ainda, a 9 de janeiro de 1924, defendendo a câmara legislativa que integrava e já era atacada por muitos: “Resulta que o Parlamento deve ser modificado, porque de facto ele tem defeitos. Mas pergunto: - qual é a instituição que não tem defeitos? Sr. Presidente: é pelo Parlamento que o país tem feito o desafogo de todas as dificuldades coletivas”[2].
Finalmente, só isto explica que, pouco antes do 28 de maio, o próprio Presidente da República, Bernardino Machado, tenha proferido as seguintes palavras, a 6 de fevereiro de 1926, numa sessão de homenagem a Pio XI na Sociedade de Geografia: “Graças ao espírito de concórdia com que Sua Santidade tem concorrido para que se estabeleça a paz até entre os portugueses, nunca mais será possível em Portugal um conflito entre o poder religioso e o civil” (Novidades, 7 de fevereiro de 1926)[3]. Permiti-me dizer ainda agora: - Deus o oiça!
E eis como, retomando a lição de Pocock e Habermas, uma leitura menos condicionada do passado nos reserva sempre algumas surpresas para o presente. Também sobre o nosso Portugal e a sua República.
Assembleia da República, 20 de outubro de 2011
D. Manuel Clemente, bispo do Porto

NOTAS:
[1] Para estas citações, cf. LOURENÇO, Joaquim Maria – Situação jurídica da Igreja em Portugal. Coimbra Editora, 1943, p. 218-219.
[2] NETO, António Lino – Intervenções parlamentares (1918-1926). Coord. de António Matos Ferreira e João Miguel Almeida. Lisboa: Assembleia da República e Texto Editores, 2009, p. 196 e 249, respetivamente.
[3] Cf. LOURENÇO, Situação jurídica, p. 220-221.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011



Correspondência para Bernardino Machado
De José Relvas



Carta escrita já após a convalescença de meu Avô, poucos dias antes do Congresso do Partido Republicano, em Coimbra (25 de Abril de 1908). Neste Congresso falha a tentativa de eleger um directório/comité revolucionário, que só foi concretizado no ano seguinte, no Congresso de Setúbal (23 e 24 de Abril de 1909).






Meu prezado amigo
Recebi ontem o telegrama com
boas notícias, que muito me
satisfazem.
Muito estimarei que me possa
dar a certeza do seu completo
restabelecimento.
É muito problemática a minha
ida a Coimbra, pois como
eu já previra em Lisboa tenho
agora afazeres que solicitam
a minha assídua presença
aqui. Vejo nos jornais
que um dos assuntos do Congresso será a substituição
de um ou mais membros do
Directório. Parece-me condição
indespensável para os que forem
eleitos terem residência efectiva
em Lisboa. Nas condições
actuais da política, com a
próxima sessão parlamentar,
impõe-se a necessidade de
pronta presença dos membros do
Directório.
Queira apresentar a sua
Ex. ma Esposa, e minha Senhora, a
seus Filhos, todos os meus respeitos,
e creia-me
Seu m.to af. e ob.
José Relvas
P.os 21/Abril
-1908



Correspondência para Bernardino Machado
De José Relvas






Fotografia retirada do livro "História da República- Editorial Século"


Durante Fevereiro e Março de 1908, meu Avô Bernardino esteve doente, tendo repousado durante a convalescença no Hotel Itália, concelho de Cascais. Da inúmera correspondência recebida nesses dias, transcrevemos uma carta de José Relvas para a Avó Elzira:




Minha Senhora
Agradeço muito as notícias
que V. Ex. teve a bondade de
me enviar, e o que bastante
sinto é que elas não corres-
pondam aos meus sinceros
desejos, mas tenho toda a
esperança de saber muito
brevemente que seu Marido,
e meu querido amigo, entre
em fraca convalescênça.
Muito agradeço a V. Ex. o
favor de continuar a dar-me
as suas notícias.
Apresentando a todos V. Exs.
os meus melhores respeitos,
peço licença para me
descobrir com o maior
respeito
De V. Ex.
Curvado muito venerador
e muito reconhecido
José Relvas
Casa de V. Ex.
23 de Fevereiro de 1908

quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Correspondência para Bernardino Machado
Do Bispo de Beja, D. António Xavier de Sousa Monteiro





"D. António Xavier de Sousa Monteiro (Lisboa, 3 de Dezembro de 1829 - Beja, 1 de Julho de 1906), foi um Bispo de Beja e um autor português.
Em 1883 foi eleito Bispo de Beja e confirmado por bula papal a 9 de Agosto do mesmo ano. Tomou posse por procuração, entrando em Beja a 24 de Novembro de 1883 e sagrado bispo na Igreja Paroquial de Santiado (actual Sé de Beja) pelo Bispo-conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, assistido por D. José Dias Correia de Carvalho (bispo de Viseu) e por D. Tomás Gomes de Almeida (bispo da Guarda).
Era um hábil pintor (sendo-lhe atribuída a tela da Tranfiguração de Cristo na Igreja do Salvador de Beja), bem como um apaixonado compositor de música sacra, tendo composto missas de requiem de Maria Ana de Bragança, Princesa da Saxónia, em 1884, executado na Catedral de Beja, um Te Deum para a sagração do Bispo-Conde de Coimbra D. Manuel Bastos Pina (1872), e também outras missas executadas na Sé Patriarcal de Lisboa e nas igrejas principais de Portugal. Chegou a compõr uma sinfonia com o título: La féte des anges.
A sua acção pastoral iniciou uma nova etapa na diocese, condicionado por um projecto que incidia no domínio canónico e pastoral. Centrou toda a sua actividade na instrução religiosa do povo, bem como da sua educação moral e civil, sendo prova disso os seus primeiros anos de governo, nos quais publicou vários documentos pastorais, para ajudar a ressuscitar a vida religiosa da Diocese de Beja: compêndiou um Catecismo para a uso dos seus diocesanos; restaurou as principais devoções do povo, como o mês de S. José, as Ladainhas da Virgem no mê de Maio, o mês do Rosário e também o mês das almas (Novembro)e também apostou na reforma e actualização das confrarias e irmandades para estimular estas ou outras devoções que existiam nas paróquias da sua diocese. No que respeita á formação sacerdotal, loogo que assumiu o governo da diocese bejense, tomou a peito a criação do Seminário Diocesano, por decreto de Sua Majestade de 3 de Julho de 1884, inaugurando-o a 6 de Janeiro de 1885. Preocupou-se com a vida e situação dos seus sacerdotes, despertando uma aurora de renovação do clero (até pela simples provisão sobre o hábito Eclesiastico (Abril de 1884).
No entanto sofreu perseguição por parte da Maçonaria e dos movimentos jacobinos, que não poupavam criticas à actuação dos padres e do próprio bispo, denegrindo a sua imagem pelas ruas da cidade episcopal, como aconteceu em Março de 1895. Mais tarde com o explodir de problemas internos do seminário por ele criado relativos à sua administração e que se tornaram públicos, não aguentando a pressão dos movimentos anticlericais, refugiou-se em Coimbra, num palacete por ele mandado edificar, entregando o governo do Seminário e Diocese aos irmãos José Maria e Manuel Ança - que em muito prejudicaram a Diocese - tornando-se deste modo muito raras as sua breves visitas à diocese. Morreu a 1 de Julho de 1906 , sendo sepultado no Cemitério de Beja (parte antiga), no jazigo de Maria Emília Laranjo Gomes Palma, sua sobrinha de 3ª geração." - Da WIKIPÉDIA

"Em 1884 é criado o primeiro Seminário de Beja com D. António Xavier de Sousa Monteiro, músico distinto e o último dos nossos grandes canonistas citados no estrangeiro." - Do portal "Anuário Católico"

"Disperso o Museu Sesinando-Cenáculo-Pacense, das lápides e pedras ornamentadas que não foram para Évora, algumas se perderam aqui mesmo; mais de duas dezenas, e das mais preciosas, foram depois, recupe­radas, graças à desinteressada coope­ração de D. António Xavier de Sousa Monteiro, bispo da sede pacense, que à medida que elas se iam descobrin­do no Paço episcopal as mandava entregar à Câmara." - Do portal "Museu Regional de Évora (Museu Rainha D. Leonor)"

"D. António Xavier de Sousa Monteiro – 1883 – 1906, teve a honra e o pesadelo de fundar o Seminário por decreto de Sua Majestade de 3 de Julho de 1884." - Do portal "Diocese de Beja"

terça-feira, 18 de outubro de 2011







Correspondência para Bernardino Machado
De José Relvas

Carta escrita por José Relvas a Bernardino Machado, no dia 15 de Junho de 1907, após a jornada republicana no distrito de Santarém

Bernardino Machado na Casa dos Patudos - Alpiarça

















Meu querido Amigo
Recebi o seu telegrama, que é mais
uma afirmação da sua tão cati-
vante gentileza. Posso assegurar-lhe
que os seus sentimentos são corres-
pondidos por quantos tiveram a
boa fortuna de o ver, de lhe falar
e de o abraçar.
Permita-me que coloque na van-
guarda dos que lhe desejam ser muito
lembrados minha mulher e meu
filho, de quem eu sou interprete
dignificando-lhe a sua muita
estima e respeito.
Os meus amigos de Alpiarça
encarregaram-me de lhe trans-
mitir os seus mais calorosos agrade-
cimentos pela distinção, que para
todos nós represente a sua vinda
aqui, no dia 12, e a conferência
realizada no centro popular
da vila. Tenho conhecimento
directo da acção da sua
palavra sobre o espírito da
população, e posso assegurar-lhe
que a aclamação, com que o
saudaram, à saída da confe-
rência, representava uma
intensa e espontânea impressão
da alma popular. Deve ser
muito grato ao seu espírito,
e também ao seu coração,
porque tais manifestações rara-
mente se dissociam da intuição
de bondade, uma das condições
de maior mito para o senti-
mento das populações portuguesas.
E como a nossa causa seja
de justiça, e também de amor, muito me alegra
que a minha terra soubera
compreender o alto valor mo-
ral da sua palavra.
Que alegria a de todos nós
no dia memorável, em que
durante 11 horas passeamos
num cortejo triunfal,
através dos campos, cidade,
e vilas, a República Portuguesa!
Não parecia uma hora de luta;
dir-se-ia antes que soava
já o clarim da vitória.
A si, meu querido amigo, e
a todos que o acompanharam
nesta jornada gloriosa, as
felicitações mais sinceras e
cordiais dum soldado da
fileira, que tem uma grande
satisfação em ser seu velho
e muito obrigado amigo
José Relvas
Alpiarça 15 Junho
-1907