domingo, 19 de junho de 2011





A BANDEIRA DA REPÚBLICA PORTUGUESA










O Director do Agrupamento de Escolas Bernardino Machado, de Joane, Professor Dr. Alfredo Lima, hasteando a bandeira nacional no dia do Patrono - 2011








100 anos de bandeira portuguesa
por António Valdemar, Presidente da Academia Nacional de Belas Artes

"Os símbolos emblemáticos da República - a bandeira, o hino, o busto, a moeda e o selo - encontram-se associados, desde o século XIX, aos movimentos ideológicos e políticos, empenhados na mudança do regime e na transformação da sociedade. Ao ser proclamada a República, a 5 de Outubro de 1910, na Câmara de Lisboa destacava-se uma bandeira verde e vermelha. Momentos antes, várias bandeiras iguais desfraldaram-se através da cidade.
Qual a origem da bandeira? Como e desde quando surgiu? O verde e o vermelho eram cores do federalismo ibérico, preconizado por Henriques Nogueira, Latino Coelho, Teófilo Braga. Em muitas cidades e vilas existiam bandeiras verde-rubras nos centros republicanos. Uma dessas bandeiras foi hasteada, em 1891, durante a revolução do 31 de Janeiro, na Câmara do Porto. Pertencia ao Centro Democrático do Porto. Além de verde e vermelha, o modelo adoptado pela Carbonária - disseminada em todo o País - incluía uma estrela de cinco pontas e a esfera armilar, uma das referências da expansão portuguesa no mundo.
Um estudo de Isabel Lousada recorda as origens da bandeira que apareceu, no 5 de Outubro, no acto da instauração do regime. Adelaide Cabete fora abordada por José de Castro, presidente da Comissão de Resistência e grão-mestre ajunto da Maçonaria a substituir, nas funções, o grão-mestre Magalhães Lima, exilado em Paris.
Exigindo "o maior sigilo", José de Castro solicitava a Adelaide Cabete para, juntamente com Carolina Ângelo - ambas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e da Maçonaria Feminina - ,"mandarem fazer 20 bandeiras verde e vermelhas, no prazo máximo de 48 horas". "Para evitar qualquer falta ao compromisso tomado" - revelou Adelaide Cabete -, "foi proposto que a confecção seria feita só por nós." As 20 bandeiras integravam-se nos preliminares da revolução, marcada para Julho, transferida para Agosto e, finalmente, adiada para o princípio de Outubro.
O Governo provisório nomeou, a 15 de Outubro de 1910, uma comissão para elaborar a nova bandeira nacional. Dela fizeram parte o pintor Columbano Bordalo Pinheiro, o jornalista João Chagas, o escritor Abel Botelho, o oficial do Exército Afonso Pala e o oficial da Marinha Ladislau Parreira. A 29 de Outubro de 1910, havia a primeira versão concebida por Columbano e o primeiro relatório de Abel Botelho. Procedeu-se , no dia seguinte, a apreciação em Conselho de Ministros, que indicou modificações. A 6 de Novembro, o Conselho de Ministros voltou a analisar o projecto. A aprovação só decorreu a 29 de Novembro. O primeiro feriado nacional, decretado pela República, 1 de Dezembro de 1910, foi o Dia da Bandeira.
Todavia, não foi pacífica a aceitação dentro do próprio Governo. A maioria conseguiu-se, apenas por um voto. Entretanto, desencadeou-se uma polémica agressiva. Dividiu políticos, escritores, poetas e artistas. Sem os símbolos reais, insistia nas cores azul e branca, em vigor desde D Pedro IV. Assim se pronunciaram, entre outros, Guerra Junqueiro, Sampaio Bruno, Roque Gameiro, António Arroio e o autor da letra d'A Portuguesa, Henrique Lopes de Mendonça.
A resolução da Assembleia Constituinte estabeleceu a seguinte definição: as bandeiras nacionais serão bipartidas verticalmente, verde-escuro e vermelho, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das duas cores, o escudo das armas nacionais, orlado de branco sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. A divisória entre as duas cores será feita de modo que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde. O emblema central ocupará metade da altura da tralha.
Repetiram-se as cores do projecto inicial de Columbano. A confirmação pela Assembleia Constituinte decorreu na sessão de 19 de Junho de 1911. Faz amanhã cem anos a legalização da bandeira nacional.
Abel Botelho, no relatório oficial acerca da bandeira, pormenorizou cada um dos elementos utilizados. Interpretou o vermelho como a "cor combativa e quente, é a cor da conquista e do riso; uma cor cantante, alegre, lembra o sangue e incita à vitória"; e o verde, como a "cor da esperança e do relâmpago, significa uma mudança representativa na vida do País".

sábado, 18 de junho de 2011



Bernardino Machado e Afonso Costa estiveram no funeral de Augusto Fuschini, que se realizou no dia 10 de Março de 1911

Ilustração Portuguesa, nº 265, de 22 de Março de 1911


Brasil-Portugal, nº292, de 16 de Março de 1911





sexta-feira, 17 de junho de 2011



A geração de Bernardino Machado



Da esq. para a direita: em pé - António Maria de Sena, Lemos Peixoto e António Maria Sereno; sentados - Bernardino Machado, Joaquim Urbano e Daniel de Matos

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Palacete Barão da Trovisqueira, em Famalicão




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Apresentação, pelo Dr. Artur Sá da Costa,
do Palacete Barão da Trovisqueira,
onde está instalado o Museu Bernardino Machado







MUSEU BERNARDINO MACHADO


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terça-feira, 14 de junho de 2011



Bernardino Machado e o Padre Alves Correia




Estátua do Padre Joaquim Alves Correia, inaugurada em 1978 pelo Bispo D. António Ferreira da Cruz, em Aguiar de Sousa - Paredes (na "Senhora do Salto")


O Padre Alves Correia foi condecorado, a título póstumo, com a Ordem da Liberdade pelo Presidente Ramalho Eanes, em 1980


No anterior blogue de 27 de Abril de 2011, a propósito do livro "A Largueza do Reino de Deus", do P. Alves Correia, reproduzimos uma carta de Luísa Sérgio para Bernardino Machado.
Completamos a troca de correspondência entre ambos sobre este tema, juntando um recorte do jornal "Ponto", com um artigo de Jacinto Baptista, e uma interessante carta do P. Alves Correia para Bernardino Machado.


Capa do livro de Joaquim Alves Correia - "A Largueza do Reino de Deus"



Recorte do semanário" Ponto" de 5 de Agosto de 1982



Artigo de Bernardino Machado publicado no jornal "O Fozcoense" de 15 de Setembro de 1928




Documento retirado da Biblioteca e Arquivo Digital da Secretaria-Geral do Ministério das Fonanças e da Administração Pública







Ilustração Portuguesa, nº 911, de 4 de Agosto de 1923


Carta do Padre Alves Correia dirigida a Bernardino Machado, que faz parte do acervo do Museu Bernardino Machado:








Paris 6.VIII.38

Prezado e nobre amigo

e saudoso Presidente

Não quero deixar

Paris sem dizer a V. Ex.cia

como vou comovido com

o exemplo reconfortante

da firmeza luminosa

e estóica da fé de

V. Ex. cia na ressureição

do povo português. Como

a adversidade e a coragem

de levar todo o peso

das responsabilidades

mortais das convicções

retempera os espíritos

nobres, em vez de os que-

brantar

Eu vou fazer o que

puder mandar a V. Ex. cia

directamente ou por mão

do querido e nobre ami-

go Agatão Lança, os dados

que achar interessantes

publicar. Serão aponta-

mentos, como os rascu-

nhos que deixei nessas

mãos venerandas, quando

tive o prazer de as aper-

tar.

E claro que se, em vez

disso, mandasse artigos

assinados, não os manda-

ria muito tempo... E não

seria só eu que me veria
tolhido (o que importava pouco

mas as pobres missões ultra

marinas que represento comigo

e com os generosos colegas que me toleram.

Adm.or e ven.or ded.


J. Alves Correia




A correspondência trocada entre Luísa Sérgio e Bernardino Machado:




























Do epistolário de Armando Cortesão, guardado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, transcrevemos as cartas escritas por Bernardino Machado.







Armando Cortesão