A Biblioteca de Bernardino Machado
Na correspondência de Bernardino Machado encontramos várias referências à sua biblioteca.
Pelo que meus Pais referiam, a sua biblioteca recolhia uma enorme quantidade de livros, arrumados na sua casa de Celas (Quinta dos Sardões). Nos primeiros anos da década de 90, teve nessa catalogação a ajuda do estudioso de literatura medieval, Alfonso Hincker, que se encontrava em Coimbra. Este investigador, que colaborou com Carolina Michaelis e Leite Vasconcelos, foi sócio correspondente do Instituto de Coimbra, tendo publicado vários trabalhos na revista "Instituto".
Quando Bernardino Machado foi morar para a Cruz Quebrada a biblioteca ficou arrumada num anexo, junto à residência. Foi uma pena esta biblioteca ter-se dispersado...


De Julho a Agosto de 1902, Bernardino Machado esteve em Zurich para acompanhar o filho Miguel, que ai se encontrava a estudar, e tinha adoecido com provável apendicite. Escrevia para Coimbra quase todos os dias, encontrando-se essa correspondência depositada no Museu de Famalicão. Digitalizámos a carta de 8 de Agosto , em que refere a ida ao teatro, onde actuava "o grande actor francês Coquelin". .."Que pena não estarem cá! A segunda peça - a 1ª foi o "Le Gendre de M. Poirier", que aí têm entre os meus livros, na secção de Literatura, peçam-na ao Hincker - a 2ª, de M.me Émile Girardin, La joie fait peur, foi tão bem representada que nos fez a todos chorar até às lágrimas. É uma família que julga o filho morto, mergulhada na mais profunda dor, e senão quando ele aparece-lhe salvo e são. O Coquelin representa o antigo criado de família, a quem, como no Fr. Luís de Sousa, nunca foi possível acreditar na morte do amo. E depois tudo é preparar a mãe para a alegria da boa nova. Muitíssimo bem escrita, e tudo o que há de mais tocante. Há bocados que bem se vê que só podiam ser obra de mulher, pelo que são de termos."

Trabalhos de Alfonso Hincker publicados no "Instituto":



Texto de Leite de Vasconcelos no "Instituto",onde refere a colaboração com Hincker:

Os livros a que Bernardino Machado se refere na carta publicada:
(Imagens retiradas da Internet)



Madame Émile de Girardin (Delphyne Gay)

Nº. de 17 de Janeiro de 1903 da revista "L'Assiette au Beurre", com caricatura de Coquelin de Leal da Câmara
