sexta-feira, 7 de outubro de 2016

SOCIEDADE
A mulher invulgar que deu o rosto à República
05.10.2016
Em 1910, uma jovem de 16 anos serviu de modelo para o Rosto da República ao escultor Simões de Almeida, sempre sob o olhar atento da mãe. Chamava-se Hilda Puga e a sua vida foi plena de aventuras. O Expresso conta-lhe a história de uma mulher invulgar, que sobreviveu a dois cancros, esteve casada dois meses, foi rica mas teve tornar-se costureira para sobreviver e morreu no dia em que celebrou 101 anos
Até 1970, Hilda Puga andava nos bolsos de todos os portugueses. Era dela o rosto das moedas de 5 escudos e de 50 centavos, fruto do serviço patriótico que prestou muitos anos antes, quando a República foi instaurada, em 1910. Ela, que "até era profundamente monárquica, muito católica e reacionária", recorda o neto, Nuno Maia, 50 anos, "aceitou o pedido do escultor Simões de Almeida por amor ao país." Hilda tinha 16 anos, e trabalhava numa camisaria na R. Augusta, na Baixa de Lisboa. Estava a fazer uma entrega quando se cruzou com o escultor, que lhe achou graça e a convidou para ser sua modelo.
Como Hilda era menor de idade, Simões de Almeida teve de pedir autorização à mãe dela, que lhe impôs duas condições: a primeira, ela própria teria de estar presente nas sessões - que duraram duas horas, durante um mês; e a segunda era que a filha teria de posar vestida. Foi esta, aliás, a razão que levou Hilda Puga a só falar abertamente deste episódio depois dos 90 anos... É que o busto de Simões de Almeida mostra uma mulher de amplo decote, e Hilda jura "que só tinha desabotoado um botão da camisa..."
Este poderia ser um episódio de relevo na vida de muita gente, mas para Hilda foi apenas um numa vida cheia de aventuras e reviravoltas. Nas primeiras está, por exemplo, uma viagem de barco de meses até ao Amazonas. Nas reviravoltas da vida estão a perda do pai e a passagem de menina rica a costureira.
DE LISBOA PARA BELÉM DO PARÁ
O pai de Hilda, Tomás Garcia Puga, era um homem abastado, proprietário da fábrica de tijolos da praça de Touros do Campo Pequeno (Lisboa). Apaixonou-se pela empregada, com quem viveu a vida toda e de quem viria a ter cinco filhos – mas o ato de amor custou-lhe o corte de relações com a família de origem, que nunca aceitou uma união tida como "inferior". Um revés nos negócios obrigou Tomás Puga a vender a fábrica. Atraído pelo Eldorado da borracha no Novo Mundo, em finais do século XIX, ruma a Iquitos, na Amazónia peruana, onde ergue um armazém geral. A vida corre bem, tanto que, passados poucos anos, Tomás chama a família toda. Numa longa viagem de mais de três meses, de "vapor, barco e piroga", Hilda, a mãe e os quatro irmãos rumam de Lisboa até Belém do Pará.
Passaram-se três anos felizes na Amazónia, até que Tomás Puga adoece com beriberi, uma doença tropical. O médico dita a sentença: Tomás tem de regressar a um clima temperado, sob pena de morrer. A família Puga embarca de novo, de regresso a Lisboa – mas o chefe de família não aguenta a viagem e morre a bordo, ao largo de Cabo Verde. O funeral é feito no mar. À chegada à Lisboa, sem o sustento da família, esperava-os a miséria.
Foi a educação dos anos de desafogo financeiro, que proporcionou aulas de piano, costura e bordado, que permitiu à mãe e às irmãs Puga sobreviverem. Hilda dedicou-se à costura – nunca deixou de costurar, a vida toda. "Fê-lo diariamente até aos 96 anos", conta o neto - "lençóis, toalhas, fardas de empregada, crochet", e ocupava-se muito em leituras. Mas a vida ainda lhe reservaria outros desafios.
Ainda antes dos 30 anos, Hilda teve um primeiro cancro de mama, que o pai do médico Gentil Martins retirou. Na mesma altura, casou-se, com um jornalista – foi a última das irmãs a fazê-lo. Mas também aqui não teve sorte, permanecendo casada escassos dois meses. Arremessou um candeeiro à cabeça do marido, e, apesar de muito católica, pediu o divórcio em 1932 (ainda antes da Concordata ser assinada em Portugal), somando para si mais um estigma social: o de mulher divorciada.
Não tornou a casar-se, e nunca teve filhos – mas criou como tal uma sobrinha, Emília, que lhe chamaria sempre "mamã". Aos 60 anos, Hilda teve um cancro na outra mama, e mais tarde, retirou outro tumor, na barriga. Cegou ainda de um olho, o esquerdo. A tudo isto sobreviveu. Com a costura, sustentava a mãe e filha "adotiva". Até que esta se casou, em 1957. Após 3 anos de vida em comum com Emília e o marido, optou por ir para um lar, aos 77 anos. Estava muito habituada ao seu espaço, e custava-lhe ter de prescindir da sua liberdade.
Onze anos mais tarde, sofreu o maior de todos os golpes: Emília morria, de cancro de mama. Hilda remeteu-se à clausura total, no lar, não saindo de lá durante uma década. Foi preciso nascer o primeiro sobrinho neto para tornar a passar o Natal em família. Em 1991, parte uma perna e cai à cama. Nessa altura, o seu maior problema era "não poder costurar". Dois anos depois, falece, aos 101 anos. Morria o rosto da República, cuja implantação se assinala esta quarta-feira.
 

 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016





António Valdemar


5- 10- 2016

Caríssimo Sá Marques

Viva a República, a 1ª e a 2ª

 Parabéns pelo seu blog de hoje.

Recorro à citação sempre atual:

« para que a memória não esqueça».

O seu blog, de hoje 5 de Outubro de 2016 revela,

sem margem para equívocos,

(com fotografias de aparato policial

e provas tipográficas com cortes de censura)

que, no tempo de Salazar e de Marcelo Caetano,

as comemorações do 5 de Outubro

eram sujeitas a repressão. Repressão sistemática.

Assisti  muitos anos como jornalista,

no exercício da profissão,

a este espetáculo deplorável.

Não se esqueça ,ainda, que o período histórico

de  1926 a 1932 o regime chamava – se Ditadura Militar;

de 1932 a 1968  (salazarismo),  chamava – se Estado Corporativo;

e de 1968 a 1974 (caetanismo), chamava – se Estado Social.

  , portanto, a 1ª República  de 5 de Outubro de 1910 até ao 28 de Maio de 1926;

e a Republica  de 25 de Abril de 1974 até hoje.

É uma fraude chamar 2ª Republica , ao período histórico de 1926 a 1973/4,

aos governos de Salazar e de Marcelo Caetano.

Uma República cumpre liberdades, direitos e garantias constitucionais,

não interdita a liberdade de Imprensa (Censura)

não interdita a liberdade de reunião e de associação(PIDE)

Não tem Tribunais Plenários para justificar e agravar as intervenções da Censura e da PIDE.

Acrescente – se que Salazar  e Marcelo Caetano nunca foram republicanos.

Abraço republicano do

António Valdemar







O CINCO DE OUTUBRO














 

 
 
 
O 5 de Outubro de 1983 na Assembleia da República
 
 
 



Só no dia 5 de Outubro de 1983 foram colocados no átrio da Assembleia da República
os bustos de Bernardino Machado, António José de Almeida e de Afonso Costa.
Era Presidente da Assembleia, Manuel Tito de Morais e Primeiro Ministro do Governo, Mário Soares.
 O busto de Bernardino Machado, da autoria do escultor António Duarte,
foi descerrado pela neta Manuela Machado Sá Marques.






O 5 de Outubro de 1983 em Vila Nova de Famalicão



Inauguração do monumento a Bernardino Machado pelo
Presidente da República General Ramalho Eanes

Bernardino Machado Filho abraçando o Presidente
da República General  Ramalho Eanes

 
O Presidente General Ramalho Eanes depondo um ramo de flores
no jazigo de Bernardino Machado
 
 

Um texto de Agostinho Fernandes,
 Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova
 de Famalicão em 1983
 
 
 
 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

 
 
 
Amanhã celebramos o dia 5 de Outubro - FERIADO NACIONAL
 
O cinco de Outubro durante o chamado "Estado Novo"
 








 
 
 



 
 




sábado, 1 de outubro de 2016





Do blogue do Amadeu Gonçalves  -  "dopresente"
Com um apertado abraço de gratidão














quinta-feira, 29 de setembro de 2016


A I Grande Guerra e V. N. de Famalicão


Foi apresentado recentemente o número duplo 8/9 (2014-2015) da IV série do "Boletim Cultural" da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão. Dividido em quatro capítulos temáticos, a saber, i) "Entre a Monarquia e a I República", ii) "Raízes Históricas", iii) "Património Cultural" e iv "Oposição Democrática", contém colaboração de António Joaquim Pinto da Silva, António José Queiroz, Artur Sá da Costa (assim como também coordenador editorial do mesmo), Filipa Sousa Lopes, Jorge Fernandes Alves, José Manuel Tengarrinha, entre outros. De Amadeu Gonçalves contém "A I Grande Guerra e as suas repercussões em Vila Nova de Famalicão. O Monumento aos Mortos da Grande Guerra".  Ao citar Eduardo Lourenço ("… somos o Édipo da História, ou, por outra, a História é que é realmente a Esfinge. Não é a solução, a resposta, é a questão em si mesma, e nós estamos sempre a ser questionados sem cessar por aquilo que somos, por aquilo que fazemos. A História não é outra coisa que não seja o que fazem os homens. Não há História fora do nosso próprio fazer. A história é a ficção das ficções."), Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes ("… talvez faltem, ainda hoje, as análises dos sentimentos das pessoas, combatentes ou não-combatentes, das ideias dos grupos e colectividades, das famílias, das aldeias, dos povos.") e Norman Stone ("Mas no princípio reinou a ilusão. Em 1914, as tropas partiram saudadas pelas multidões […] Nenhuma guerra começou com tamanha incompreensão da sua natureza […] os exércitos partiram para a guerra com a ilusão de que tudo estaria acabado em breve – «em casa no Natal»."), pretende o autor do mesmo trabalho evocar, ou tentar saber, através da imprensa de V. N. de Famalicão, entre 1914 a 1918, particularmente entre o "Estrela do Minho" e a "Gazeta de Famalicão" de como seria a sociedade famalicense e de como a mesma se movimentou perante a I Grande Guerra. Para além das questões sociais e políticas e da sua movimentação em V. N. de Famalicão (por exemplo a crise das subsistências ou o sidonismo), ler-se-á nesta investigação como é que a sociedade famalicense se  organizou em torno das associações cívicas e sociais, passando pela visão da guerra, pelas actividades culturais e lúdicas, etc. Fica aqui um esquema desse mesmo trabalho

1914
Cultura. Bernardino Machado, Presidente do Ministério, A Questão de Riba d`Ave. O Inquérito do Governo de Bernardino Machado sobre a Lei da Separação da Igreja e do Estado. A Guerra.

1915
Pimentismo. Reorganização Mnárquica. Eleições. A Crise das Subsistências. Incêndio na Casa de Camilo. A Eleição Presidencial. A Guerra. África. Cultura. Exercícios Militares.

1916
Junta Patriótica do Norte. Cruzada das Mulheres Portuguesas. Cruz Vermelha Portuguesa. A Guerra. Bernardino Machado em Vila Nova de Famalicão. A Crise das Subsistências. Futebol. Cultura.

1917
Cultura e Sociedade. A Guerra. A Guerra e a Propaganda. África. Cruz Vermelha Portuguesa. Comissão Promotora Venda da Flor. Crise das Subsistências. Política. A Vitória Monárquica nas Eleições Municipais. Viagem Presidencial e Exílio.

1918
Bernardino Machado e I Exílio. O Sidonismo em Vila Nova de Famalicão. A Crise das Subsistências. "A Sopa dos Pobres". Doenças: Tifo Exantemático, Hidrofobia, Pneumónica, Varíola. A Guerra. Cultura e Sociedade.


"O Monumento aos Mortos da Grande Guerra".