terça-feira, 11 de março de 2014





Recordar dois jornalistas republicanos, Pedro Januário do Vale Sá Pereira e seu filho Luís Consiglieri Sá Pereira -  II



 



 

 
 
Pedro Januário do Vale Sá Pereira
Biografia
Foi empregado comercial, funcionário público e presidente da Associação de Classe dos Caixeiros de Lisboa, no âmbito da qual fundou em 1896, o jornal O Caixeiro.
Foi o fundador do Partido Socialista Democrático em 1902, opondo-se a Azedo Gneco. Na direcção deste partido constavam Manuel José Gonçalves, Feliciano António da Silva, Agostinho da Silva, Teodoro Ribeiro, Mariano da Assunção Gonçalves, Luís José Alves, para além do próprio Sá Pereira, que se tornou na principal figura deste partido. No ano seguinte, este partido tentou realizar uma nova assembleia para eleger os seus órgão dirigentes, mas as autoridades não o permitiram de imediato, mas a 29 de Março de 1903 foi finalmente eleita a direcção que ficou confiada a Sá Pereira, Horácio Micali, Manuel Inês, Inácio Ferreira e Júlio Marques.
Tomou publicamente posição contra a Guerra dos Bóeres, participando na Conferência Contra a Guerra Sul-Africana, realizada em Lisboa, nos dias 27 e 28 de Março de 1902, na Associação Comercial dos Lojistas, numa organização conjunta entre a Federação Socialista Livre e o Círio Civil Estrela. Os participantes nesta conferência eram reconhecidamente republicanos entre destacavam-se Augusto José Vieira, José do Vale e Francisco Homem Cristo, entre outros.
Foi um dos participantes na reunião realizada em Abril de 1904, na Associação dos Lojistas de Lisboa, onde se criticaram os acontecimentos ocorridos em Alcalá del Valle a 1 de Agosto 1903. Esta manifestação de pendor anarquista, na vizinha Espanha, provocou grande emoção entre os libertários e socialistas europeus. Em Lisboa, os acontecimentos foram difundidos pela Federação Socialista Livre, tendo, na ocasião discursado, para além de Sá Pereira, Magalhães Lima, Heliodoro Salgado, França Borges, Ramada Curto e José do Vale, entre outros.
Participa em diversos comícios e conferências onde se destaca o comício organizado em Janeiro de 1905, em Lisboa, onde usaram a palavra para além de Pedro Sá Pereira, Augusto José Vieira e Dâmaso Teixeira.
Integrou, ainda em 1905, a Comissão do 2º Centenário de António José da Silva (O Judeu), que era constituída por Augusto José Vieira, Fernão Botto Machado, Carlos Cruz, Dâmaso Teixeira, França Borges, Joaquim Madureira, Luz de Almeida, Mayer Garção, Teófilo Braga, Magalhães Lima, Macedo Bragança, Israel Anahory, Martins Monteiro, Silva Fernandes e José do Vale.
Em 28 de Maio de 1911, como socialista independente, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo círculo oriental de Lisboa, na companhia de Afonso Costa, Anselmo Braamcamp, António José de Almeida, Ladislau Piçarra, Artur Duarte Luz de Almeida, Afonso Pala e Magalhães Lima. Foi novamente eleito deputado em 1915 e 1919 pelo PRP, embora no círculo de Vila Franca de Xira. Em 1922 voltou novamente a ser eleito deputado, mas agora pelo círculo de Beja. Enquanto membro do Directório do PRP foi director do jornal O Rebate. Exerceu ainda o cargo de secretário da Câmara dos Deputados.
Foi expulso do PRP em 1925, quando passou a integrar as listas da Esquerda Democrática, tendo sido candidato pelo círculo de Beja, embora não conseguindo vencer a eleição. Pertenceu também ainda à direcção do Centro Republicano Dr. José Domingues dos Santos, desempenhando as funções de vice-presidente. Em 1925, durante o Congresso da Esquerda Democrática, Sá Pereira, conseguiu ser eleito para o Directório do PRED.
Pertenceu à Maçonaria, tendo integrado a Loja Luís de Camões, em Lisboa, com o nome simbólico de Karl Marx.
 
Do espólio de Bernardino Machado, digitalizado em "Casa Comum" da Fundação Mário Soares, retirámos:


Carta de Pedro Januário do Vale Sá Pereira para bernardino Machado (1907)



 

 



 
De Luís Consiglieri Sá Pereira tenho o seu livro:
 

 
 
 

Fez no "Diário de Lisboa" a reportagem da noite trágica de 19 de Outubro: 


 
 

 


 

 


 

segunda-feira, 10 de março de 2014



Elzira Dantas Machado no novo dicionário
"Feminae Dicionário Contemporâneo"





 


 

 
 
 

 

 

 
 

 

 

 
 
 

domingo, 9 de março de 2014







IN MEMORIAM: Fina d'Armada  -  9 de Abril de 1944  -  7 de Março de 2014




Fina d'Armada no Museu Bernardino Machado


9 de março de 2014 às 1:05
 
                            
"Morreu Fina d'Armada
A historiadora Fina d'Armada, de 68 anos, morreu hoje de manhã na sua residência, em Rio Tinto, concelho de Gondomar, onde vivia desde 1981, disse à Lusa fonte da Junta de Freguesia.
O corpo da historiadora está a ser velado na igreja matriz de Rio Tinto, de onde sairá às 22h de hoje para Vila Praia de Âncora, realizando-se o funeral no sábado, disse a mesma fonte.
Fina d'Armada é o pseudónimo literário de Josefina Teresa Fernandes Moreira, natural da Quinta d'Armada, na freguesia de Riba de Âncora, no concelho de Caminha.
Historiadora, poetisa e cronista, Fina d'Armada é autora de cerca de 12 títulos e coautora de 39 obras. Para se definir a si mesma, usava uma frase da investigadora Carolina Michaellis de Vasconcelos: "Eu não tenho biografia, passei a vida a estudar". Numa entrevista à Lusa, declarou: "O meu curriculum é apenas o produto dos meus estudos".
Em 2003 concluiu o mestrado em Estudos sobre as Mulheres, na Universidade Aberta, com uma tese que foi publicada sob o título "Mulheres Navegantes no Tempo de Vasco da Gama" (2006), que lhe valeu o Prémio Mulher Investigação Carolina Michaelis de Vasconcelos.
A autora está incluída na "Antologia de Poetas do Alto Minho", de Laureano Santos, no "Dicionário de Mulheres Rebeldes", de Ana Barradas, no "Dicionário Internacional de Arte e Literatura" e na obra "Letras de Fronteira do Val do Miño Transfonteirizo", estes dois últimos editados em Espanha.
Fina d'Armada colaborou com nomes como Natália Correia e Albano Magalhães, com os quais, entre outras iniciativas, escreveu a "Monografia da Vila de Fânzeres".

Primeiro artigo aos 16 anos
Licenciada em História pela Universidade do Porto, iniciou a publicação de artigos aos 16 anos, no jornal A Aurora do Lima. Entre 1969 e 1984 manteve uma crónica regular no Jornal de Notícias e, de 1987 a 1991, no jornal Comércio do Porto, ao qual regressou entre 1995 e 1999.

Segundo uma estatística publicada no portal de literatura Projecto Vercial, em maio de 2012, Fina d'Armada contava 1.027 artigos catalogados, publicados em 38 periódicos nacionais e estrangeiros.

Em 2008 publicou "O Segredo da Rainha Velha", romance baseado numa história desconhecida da infanta D. Beatriz, mãe do Rei D. Manuel I que, como herdeira do infante D. Henrique, terá dirigido a Ordem de Cristo e o projeto das navegações após a morte do infante navegador. Publicou também "Segredo", que aborda a possibilidade de Cristóvão Colombo ser português e enteado de D. Beatriz.
Na área de ensaio, de sua autoria, contam-se, entre outras, "As Mulheres na Implantação da República" e "Republicanas quase Desconhecidas".
Entre as obras coletivas, destaca-se "Grandes Enigmas da História de Portugal".
Homenageada, em outubro de 2010, pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), tinha recebido em julho desse ano, a Medalha de Mérito
Dourada da Câmara Municipal de Caminha, "por uma vida inteira dedicada às letras, às mulheres e à singularidade de fazer a diferença", justificou na ocasião a autarquia."




sábado, 8 de março de 2014







Recordar dois jornalistas republicanos, Pedro Januário do Vale Sá Pereira e seu filho Luís Consiglieri Sá Pereira  -  I

A Dra. Angelina Pessoa, sempre gentil, ofereceu-me o folheto "Roupa Lavada", do jornalista Consiglieri Sá Pereira, com dedicatória para Bernardino Machado. Beijos afectuosos de gratidão pela dádiva e por ter feito com que ficasse a conhecer melhor estes dois jornalistas, pai e filho!

 
 
Biografias retiradas da "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira": 
 


 
Dados biográficos de Pedro Januário do Vale Sá Pereira, retirados do "Dicionário de Maçonaria Portuguesa", de Oliveira Marques:
 


 

 

 
 
 
Quatro cartas de Luís Consiglieri Sá Pereira para Bernardino Machado (1931):
 
 

 
 








 
 
 

segunda-feira, 3 de março de 2014







11. | 18. e 25.Terça-feira.Março
Chá com Bernardino…
Museu Bernardino Machado | 14h30 às 16h00

Público-alvo: Público sénior
Sujeito a marcação prévia.

Exibição do documentário “Bernardino Machado: percursos de uma Vida”, que retrata as várias facetas de Bernardino Machado; o homem, o cientista, o pedagogo, o político e os períodos de exílio.
Durante a visualização do vídeo será servido um chá.

Inscrições
Dr.ª Suzana Salazar
Museu Bernardino Machado
Telefone: 252 377 733
E-mail: museu@bernardinomachado.org




domingo, 2 de março de 2014







Do blogue  -  dopresente  - do Dr. Amadeu Gonçalves - retiramos a notícia da passada conferência do dia 28 de Fevereiro:




Na apresentação do conferencista convidado, o Prof. Miguel Santos, o Prof. Norberto Cunha, coordenador científico do Museu Bernardino Machado, referiu-se que seria apresentada a “outra faceta de Paiva Couceiro, para além das invasões couceiristas”. De facto, na segunda conferência do Ciclo “Ideias e Práticas do Colonialismo Português”, o Prof. Miguel Santos na conferência com o título “O Pensamento e a Acção Colonial de Paiva Couceiro” apresentou ao auditório do Museu Bernardino Machado uma outra faceta de Paiva Couceiro. Partindo do princípio de que no pensamento colonialista de Paiva Couceiro temos não só o “militar, mas também o pensador”, cujo pensamento não pode ser desligado de outros pensadores. Partindo da análise de obras como “Relatório de Viagem entre Bailundo e as Terras do Mucusso” (1892), passando pelo título “Experiência de Tracção Mecânica na Província de Angola” (1902) até à sua “Profissão de Fé” (1944), o Prof. Miguel Santos pretendeu analisar analisou a “teoria do império” em Paiva Couceiro no âmbito de uma filosofia política, sendo a questão a saber se esta mesma teoria foi inovadora. Ora, se na Europa são as elites que fazem a colonização, em Portugal são os militares que a desenvolvem. Neste âmbito, o Prof. Miguel Santos apresentou três mecanismos, três ideários de colonização para percebermos a contextualização do pensamento de Paiva Couceiro neste âmbito, o colonial: o comercial, a plantação e a ocupação efectiva do território no seu povoamento, para o desenvolvimento da agricultura. Defendendo Paiva Couceiro a autonomia progressiva para as colónias, em particular para Angola, tal desenvolvimento deveria ser feito pelo conhecimento territorial e, paralelamente, não há construção de um território se não houver vias de comunicação. Neste âmbito, Paiva Couceiro pertenceu a uma geração a que os historiadores designaram como a “ocupação cientificizada do espaço”. Desta forma, e tendo como pano de fundo o exemplo do Brasil, Paiva Couceiro acreditava na terceira perspectiva atrás apresentada, através do aculturamento, da misecinização para o aparecimento de novas culturas, sendo este o caminho da desconstrução para a construção da autonomia das colónias, não propriamente a “independência”. Numa perspectiva económica, Paiva Couceiro desenvolveu um modelo específico, denominado pela agricultura, pelo comércio, sendo este só possível com o desenvolvimento das infra-estruturas, apelando a uma “civilização do trabalho”, aqui divergindo do pensamento de Oliveira Martins. Nas palavras de Paiva Couceiro, “o trabalho é o elemento estruturante da soberania para a construção de uma nova identidade”, entrando aqui o papel da instrução, do ensino. Classificando o pensamento colonial de Paiva Couceiro como sendo um “nacionalismo tradicionalista”, o Prof. Miguel Santos, num segundo momento da sua conferência, analisou a seguinte ideia: se há ou não no pensamento de Paiva Couceiro um objectivo colectivo, o qual recorre à tradição historiográfica identitária. Neste pensamento, temos não só uma visão decadentista do mundo moderno, como igualmente o reforço da componente decadentista que põe em causa a qualidade da raça e ameaça o futuro do país. Por outro lado, temos em Paiva Couceiro um certo imperialismo, uma espécie de “Teoria do Império”, sendo esta a oportunidade do surgimento da Pátria, numa concepção historicista. Portugal surge aqui, na busca das qualidades étcnico-rácicas enquanto povo colonizador, com um objectivo colectivo, estando aqui igualmente um pensamento determinista, na busca das qualidades inatas dos portugueses, indo-se até aos lusitanos.
O Prof. Miguel Santos ofereceu ao Museu Bernardino Machado os seguintes títulos: “Imperialismo e Ressurgimento Nacional: o contributo dos monárquicos africanistas” (2003), “Luís de Magalhães, Oliveira Martins e a “Vida Nova” (2003), “O Mito da Atlântida nas Leituras Historiográficas do nacionalismo Monárquico” (2008), “Arlindo Vicente e a Oposição: as eleições presidenciais de 1958” (2009), “A Contra-Revolução na I República: 1910-1919” (2010), “A República e as Letras” (2010) “Presidentes: entre o público e o privado” (2011) e “As Ditaduras na História Política Contemporânea: contributos para um debate” (2011).

sábado, 1 de março de 2014


Recordar Andrade Neves

Para o Bom Amigo António Valdemar!

Evocar o jornalista Andrade Neves e recordar o papel do "Magistério da Imprensa" na implantação do regime republicano, como nos ensina António Valdemar, a quem enviamos um apertado  abraço de gratidão!-

" José Victorino de Andrade Neves, republicano e jornalista, falecido a 31 de Dezembro de 1908. Possuía o curso de condutor de obras públicas e minas. Participou activamente no Centenário do Marquês de Pombal. Iniciou as suas actividades jornalísticas colaborando com a revista O Eurico, publicação da Sociedade Literária Alexandre Herculano. Ingressou como redactor do jornal O Século, onde acompanhou os acontecimentos ligados à prisão de Gungunhana. Passou depois para a Vanguarda, acompanhando Magalhães Lima. Participou na vida do Partido Republicano realizando comícios e conferências, realizando sessões públicas de esclarecimento dos cidadãos."  -  Do Almanaque Republicano





Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

A notícia do falecimento:







Bernardino Machado na homenagem ao republicano Andrade Neves








O Magistério da Imprensa!