quarta-feira, 25 de setembro de 2013





 Eram afectuosas as relações entre Francisco Giner de los Rios e Bernardino Machado


Quando do sismo ocorrido em 23 de Abril de 1909 em Benavente, Bernardino Machado recebeu este postal de Giner de los Rios:




O terremoto de Benavente

Imagens retiradas da Ilustração Portuguesa



O Sismo de Benavente de 1909 foi um abalo telúrico que ocorreu no dia 23 de abril de 1909, às 17:05h. Afectou a região ribatejana -  concelhos de Benavente e Salvaterra de Magos, tendo provocado cerca de quatro dezenas de mortos e elevados prejuízos materiais. Para ver o estudo sobre este simo feito pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil  -  LNEC -  ver o site clicando aqui




terça-feira, 24 de setembro de 2013




Visita de Sua Ex.ª o Presidente da República Portuguesa ao Porto  -  1916



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segunda-feira, 23 de setembro de 2013




As Homenagens aos Soldados Desconhecidos (1921)





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domingo, 22 de setembro de 2013










Do blogue do Dr. Amadeu Gonçalves com a devida vénia, e apertados abraços de gratidão!




Domingo, 22 de Setembro de 2013

Bernardino Machado, O Pedagogo


A exposição "Bernardino Machado, O Pedagogo" foi inaugurada no Museu Bernardino Machado (Vila Nova de Famalicão) no dia 21 de Setembro de 2013, pelas 17h00. O Prof. Norberto Cunha, coordenador científico do referido Museu, realizou uma visita guiada à referida exposição, com a seguinte interpelação inaugural.
"O âmbito desta exposição é associar conteúdos às imagens. Percorrendo as reflexões de Bernardino Machado, desde o que ele pensava sobre o ensino em geral, assim como a sua importância, passando pelos vários graus de ensino até ao ensino superior, esta é a lógica desta exposição. Bernardino Machado foi propriamente um professor da Escola Nova, se assim podemos chamar, porque o que ele diz é de tal maneira importante (o próprio Édouard Claparède refere-se a Bernardino Machado como o único pedagogo que havia na Península Ibérica no século XIX), a partir do momento em que acentua a aprendizagem na criança e que o verdadeiro pedagogo, para o ser, devia progressivamente libertar o aluno. Ou seja, o melhor pedagogo deixava o aluno até ao momento em que este se decidia por si, permitindo ao aluno uma completa autonomia; e o aluno, que Bernardino considerava, deveria ter um curriculum básico, um tronco comum que deveria existir em torno do ensino, segundo Bernardino deveria corresponder este mesmo ensino a um desígnio nacional e daí, o facto, de exigir, de ter exigido um Ministério da Educação Nacional para coordenar esses mesmos desígnios. O ensino, fosse ele qual fosse, para além do tronco comum, tinha de estar ao serviço das localidades, com disciplinas ajustadas às necessidades locais; e daí, por exemplo, o ensino primário ser um ensino ligado às autarquias, precisamente por causa dessas idiossincrasias. Mas já, por seu turno, o ensino médio e superior, já que estavam num plano mais vasto, este devia ficar inteiramente debaixo da tutela administrativa e pública, não recusando, contudo, o ensino particular, sendo necessário fiscalizá-lo. Isso levou a Bernardino a valorizar a psicopedagogia e, por outro lado, também acreditava que o ensino existia para transmitir um conjunto de valores e comportamentos, para que as pessoas fossem menos egoístas e mais sociáveis, mais altruístas; a maneira de as pessoas serem mais altruístas, isto é, serem mais cooperativas, era através do trabalho oficinal, do trabalho laboratorial, do trabalho em grupo e daí defender o ensino profissional, sendo um tipo de ensino que levasse os alunos a entreajudarem-se e através desta realidade eles aprenderem a cooperar, a associarem-se, a pedir ajuda uns aos outros, ou seja, no fundo, aquilo que ele desejava era que se preparassem para a vida civil, que as pessoas, para além de gerirem os seus interesses particulares, achassem que era necessário associarem-se. Perante o ensino médio e secundário, achava Bernardino Machado que este tipo de ensino tinha um papel meramente formativo, o qual deveria ser um ensino continuado para toda a vida. É um nível preparatório para o ensino superior, tendo em conta a especialização a seguir, a qual era de duas ordens: ou uma especialização média superior, que era o chamado ensino profissional e o universitário. Ora, Bernardino Machado teve um papel relevante em todos os níveis de ensino, quer no ensino primário (que criou uma série de escolas primárias), quer por exemplo, na instrução popular, que hoje se chama instrução para adultos, formação para adultos."











III
 LIBERDADE DE ENSINO
PÚBLICO OU PRIVADO?

 «Ser livre é saber! Toda outra liberdade é fatalmente o desastre na indústria e a desordem na sociedade, toda outra liberdade é a vitória não do direito, não do interesse social, mas exclusivamente da força, ainda que seja a força bruta. Só com a liberdade, que é o saber, se caminha em progresso para a igualdade, para a felicidade.»
 “Discurso Proferido na Cidade do Porto no Dia 9 de Julho de 1883”, in Homenagens, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1902.

 • «A liberdade de ensino é uma expressão vaga. Que há-de entender-se por estas palavras? Pretende-se com ela a liberdade da doutrina? Que todo indivíduo competente possa ter lugar nos estabelecimentos públicos e aí professar as suas doutrinas, sejam quais forem, contanto que não ofendam a moral nem as leis? Se assim é, é respeitável o princípio da liberdade de ensino, e eu quero-o.» «Significará a liberdade de ensino a fundação de estabelecimentos particulares de ensino ao lado dos do Estado? Temo-la já na lei […] Mas, nos seus justos limites, dando garantias pedagógicas os mestres e directores, não há princípio mais abençoado, porque em parte alguma se deve recusar à verdade um abrigo. E, como dizia o estadista que pelos seus crescentes serviços à instrução chegou ao primeiro posto no gabinete francês, como dizia o sr. Júlio Ferry, é ao ensino particular que principalmente pertence tentar inovações e fazer progredir os métodos de educação. O Estado mal pode arriscar experiências, e veria, irremediavelmente elanguescer-se o seu ensino, se não o fecundassem as ousadias do ensino particular. Decerto que aprovo a liberdade de ensino assim entendida. Mas não necessitamos de a inscrever num Acto Adicional à Constituição; temo-la, como já disse, e apenas nos falta regulá-la na parte da instrução superior. Não será este ainda o sentido da liberdade de ensino, mas quererá exprimir-se assim a abstenção do Estado? Também há quem pugne por esta abstenção, que antes deverá chamar-se abdicação, quem sustente que o Estado não deve ensinar, que deve entregar, abandonar a instrução à iniciativa particular. Mas de duas uma: ou o país possui a1ento para, sem a cooperação do Estado, assentar e erigir todo o complicadíssimo edifício da instrução nacional, ou não. Eu escusava de dizer que nenhum país os possui e muito menos o nosso.» «E, se não bastam para as necessidades da instrução as energias particulares, não será contudo legítimo, apesar de necessário, o ensino do Estado? É decerto, porque o Estado não vale só para assegurar a ordem e garantir a justiça, o Estado é também um grande organismo, a maior associação nacional, e, como tal, tem de ser a maior força, que vá acudir à sociedade onde quer que ela acuse fraqueza. Liberdade de ensino que daria a liberdade a cada um, que a daria a alguns, mas não a todos, não é, está claro, para se legislar. Resta-nos a liberdade de ensino absoluta, ilimitada, o direito a quem quer de ensinar, não só sem autorização, que também rejeito, mas sem se autorizar por si, sem exames, sem títulos, talvez sem habilitações. Tal princípio, condeno-o abertamente. Há quem o defenda, a quem se afigure sagrado; mas será, porventura, de liberdade um princípio que pode conduzir à perversão da vontade, ao enervamento e extinção de todos os impulsos viris da alma? E pode. Entregue-se uma criança nas mãos do primeiro que se ofereça para a educar, dêem-lhe tempo – nem é preciso muito; e ele, cortando todas as relações dessa criança com o mundo real, com o mundo das impressões salutares, geradoras da verdade, cercando-a de um mundo factício – em vez de realidades, fórmulas –, impede-lhe as vivas sensações que constituem o aprendizado para todos os sentimentos, e ou lhe embota o espírito e a condena à indiferença, às sujeições, ou, ainda pior, educa-a para o erro, quer dizer, para o mal. Ora, o mal nunca deve ser o fruto da liberdade. Mas é o que a pleníssima liberdade de ensino produz.» 
 “Liberdade de Ensino”, in O Ensino, Coimbra, Typographia França Amado, 1898; tb. in Affirmações Publicas: 1882-1886, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1888.

 • «Para bem compreender a necessidade de um Conselho Superior de Instrução, hão-de sentir-se vivamente as obrigações docentes do Estado. Por isso, em toda a parte, antes de se discutir propriamente o Conselho, se tem agitado, e a comissão no seu relatório a provoca, uma questão mais alta, esta questão prévia: deve haver uma instrução do Estado? A questão do Estado docente é uma espécie do problema genérico do Estado industrial, e, posto que seja a espécie mais grave, a solução geral pertence-lhe. Tem o conjunto dos membros de uma nação interesses, direitos colectivos? Não os possui próprios, mas assume-os. Na natureza somente o indivíduo é real: géneros, classes, ordens, são tudo puras generalizações abstractas. Mas a fraternidade no mundo moral cria verdadeiros organismos: um é o Estado. O Estado tem, pois, uma realidade, não natural, mas social. Se os homens se equivalessem, se entre eles não se deparassem misérias e sacrifícios, se todas as suas relações fossem de pura troca, podia haver cooperação, haver até mesmo reciprocidade; mas cada nação seria uma grande oficina e não uma mesma família, podia possuir solidez, mas não possuiria uma alma. Só onde há quem dê sem receber, se torna possível a vida social. É pela contribuição de cada um em benefício de todos, e benefício não só comum – geral –, que o Estado se forma. Falta a alguém a justiça? A sociedade soma toda a sua, e daí a judicatura. Falta em alguma parte uma indústria? Ela soma toda a que tem, e daí o fomento. Eis o Estado, eis a sua acção! Para esta acção só reconheço dois limites: um inferior, que é o que algum ou alguns indivíduos de per si podem; outro superior, que é o que nem todos juntos possam. A colectividade não deve empreender o que é para as forças parciais dos seus membros, nem o que não caiba nas suas. Em resumo, para mim a missão do estado consiste em completar, na medida das suas posses, os serviços nacionais. Perguntarei agora: deve o Estado ser pedagogo? Primeiro de tudo, há que indagar se a pedagogia é um verdadeiro serviço, se é necessária. Fundamentalmente! A educação na sociedade corresponde à hereditariedade na natureza. Como a herança vai fixando na espécie as multiformes variações dos indivíduos, assim o ensino acumula, em cada geração nova, o saber dos antepassados. O homem atravessou no período uterino as fases orgânicas da sua evolução natural, e vai percorrer no período escolar as sucessivas civilizações do progresso social. Daqui o carácter eminentemente maternal da escola: é nela que se opera a gestação do homem culto. Há muito já, com efeito, que se tornou impossível para o homem, entregue só a si, atingir na idade própria a cultura do seu tempo. Assente a necessidade da instrução, segue-se logo que a todos se impõe a obrigação de servi-la, inclusivamente ao Estado, se tanto for preciso. E é; não só no nosso país, mas em países muito mais prósperos. Na Inglaterra, aliás, tão descentralizadora, tem-se acentuado cada vez mais desde 1870 a administração oficial da instrução. O próprio governo central dos Estados Unidos, se não a administra, tem-na dotado generosamente […]»
 “Conselho Superior de Instrução Pública”, in O Ensino, Coimbra, Typographia França Amado, 1898; tb. in Affirmações Publicas: 1882-1886, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1888. 



sexta-feira, 20 de setembro de 2013








Por impedimentos, infelizmente surgidos, não estarei presente hoje e amnhã, como era meu desejo, no Museu Bernardino Machado. Mas quero enviar cumprimentos cordiais de gratidão à Vereação da Câmra Municipal de Vila Nova de Famalicão e afectuosas saudações  à Querida Equipa do Museu!







Participação de Portugal na Guerra - Regresso do Presidente da República da sua viagem ao "Front Português"  -  1917




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quinta-feira, 19 de setembro de 2013




Comemoração do 4º Aniversário da Implantação da República  -  1914






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Bernardino Machado e o Estado de Sítio decretado em 1912








terça-feira, 17 de setembro de 2013





"A 9 de Fevereiro, o governo chefiado por Bernardino Machado toma posse, tentando ser um governo de reconciliação nacional. Propõem-se rever a lei da separação entre o Estado e a Igreja. Neste mesmo mês, é decretada uma amnistia para os monárquicos, em que se inclui o bispo do Porto.
Mas neste ano de 1914, em Março, outros acontecimentos deram vida à actividade dos católicos. A Igreja de S. João de Almedina passaria a ser parte do Museu Machado de Castro. A consequência desta decisão foi a revolta, encabeçada por Salazar, Cerejeira e José Nosolini. Entram em confronto republicanos e católicos, chegando a vias de facto o confronto físico.  -  " Salazar e a I República" - José Brandão









Prancha enviada a Bernardino Machado pela Loja Portugal, de Coimbra:





Do espólio de Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Correia Pimenta, digitalizado pela Biblioteca Geral Digital da Universidade de Coimbra, reproduzimos as seguintes páginas das suas Memórias, que se referem à actuação dos maçons de Coimbra sobre o encerramento da Igreja de s. João de Almedina:









 No blogue "Almanaque Republicano"  -  clicar aqui-
encontramos dados biográficos de Belisário Pimenta



O Venerável da Loja Portugal, Belisário Pimenta, saúda e felicita Bernardino Machado, quando do seu regresso do Rio de Janeiro



















segunda-feira, 16 de setembro de 2013






No livro escrito por António José Telo - "Primeira República II  - Como cai um regime", li : " ...Bernardino Machado, a eterna nulidade com ar distinto, o sempre em pé que regressa a correr com a cartola na mão, na ilusão de que irá retomar a Presidência da República".

Recordei os depoimentos de Fernado Rosas e de Mário Soares registados no DVD - "Bernardino Machado - Percursos duma vida".





"A história que ficou, a história de momento, deu do Doutor Bernardino Machado a ideia dum homem cheio de mesuras, dum “jongleur”, dum jogador, dum político profissional, muito mesureiro, sendo retratado, caricaturado de chapéu na mão, a beber chá, como se fosse uma folhinha que andava ali no voo daquela intriga, e essa ideia não é de todo real. Basta olhar para a figura do Doutor Bernardino Machado para se perceber que estamos perante um homem de vontade férrea e com um projeto pessoal muito bem afirmado…
 Ele é um homem de vontade de aço, e essa qualidade vai-se demonstrar exatamente na adversidade à ditadura”


 

         


"Homem impoluto, um homem de inteligência luminosa, um grande académico, um grande político e um grande resistente contra todas as ditaduras, como foi a de João Franco, a de Pimenta de Castro, a de Sidónio e finalmente a de Carmona e Salazar."