quinta-feira, 12 de julho de 2012







O "DIÁRIO" de João Chagas

Duas cartas de Bernardino Machado e outros documentos.


João Chagas conversando com Bernardino Machado e Jean Jaurés  -  Julho de 1911



Quando em 1929 foram editados os quatro volumes do Diário de João Chagas, Bernardino Machado, exilado em Paris, escreveu uma carta para o director do jornal "Povo", Mário Salgueiro, que foi suprimida pela Censura.

"Paris, 27-6-929


Meu Caro Correligionário e Amigo

Permita-me duas palavras sobre o Diário de João Chagas.
O brilhante panfletário era um grande emocional. O ardor que tomou pela nossa intervenção no conflito mundial produziu-lhe a ilusão de que só ele era capaz de a dirigir cabalmente. E, para seu maior sobressalto, imaginou irredutíveis colisões entre os Homens públicos que tiveram então as gravíssimas responsabilidades do governo, atribuindo-lhes absurdamente as mais desabridas referências mútuas. Dai as injustas arguições que contra eles lançou nas suas notas íntimas. A sua própria linguagem, de tão galharda combatividade, se ressentiu.
Nada mais deplorável. Só, porém, aos republicanos cabe o direito de julgar severamente essas irrequietas prevenções. Não foram, sem comparação, mais condenáveis os desvarios anti-intervencionistas dos nossos adversários, ainda hoje impenitentes? Eles alvejaram em publico a própria Pátria.
E Chagas, deve-o supor, reconsiderou. Que o digam todos que o ouviram falar, com efusão patriótica, dos dias inolvidáveis em que, tendo-o ao lado dos ministros da União Sagrada, Dr. Afonso Costa e Dr. Augusto Soares, visitei os exércitos aliados, acompanhado pelo Chefe de Estado de França, o Sr. Poincaré. O seu Diário é omisso de Maio a Dezembro de 1917. Mas creio bem que ele já o não publicaria, sem uma rigorosa revisão reparadora das arrebatadas incorrecções do seu texto.
Aceite, meu Caro Correligionário e Amigo, os protestos da minha antiga estima muito dedicada e grata.

                                                                Bernardino Machado"



Rascunho da carta (Espólio de Bernardino Machado):























Quando Bernardino Machado teve conhecimento do livro de Bourbon e Meneses "O Diario de João Chagas - A Obra e o Homem", editado em 1930, enviou ao autor a seguinte carta:


"Bayonne, 29-12-30



Meu querido Amigo

Admirável, a todos os respeitos, o seu último livro “O Diário de João Chagas”, onde os seus talentos de escritor dão o maior brilho ao seu trabalho crítico. Há nele páginas, como as 74 a 77, da mais empolgante dramatização dialéctica. O retrato do Homem é uma perfeição.
Gostaria de estar aí para lhe falar da nossa intervenção na guerra. Creio ter praticado, com a decisão que ponho sempre no cumprimento dos meus deveres, todos os actos então necessários, primeiro, como Presidente do Ministério, em 1914 – a declaração de 7 de Agosto e a proposta de lei de 9 de Novembro, alem da amnistia aos monárquicos e, depois, como Presidente da República, em 1916 e 1917 – a declaração do estado de guerra e a política de amizade com a Espanha, alem da União Sagrada. Lembra-se bem decerto como foi jugulada de pronto a insurreição de Mafra de modo a não se imaginar lá fora que havia em Portugal forças anti-intervencionistas importantes. E externamente não nos faltaram resistências que fomos vencendo persistentemente. Sobre as relações luso espanholas basta dizer-lhe que o governo inglês receou sempre que elas pudessem complicar-se embaraçosamente também para ele. E convêm lembrar-nos de que mesmo na Inglaterra não eram idênticas as atitudes no Ministério da dos Negócios Estrangeiros e no Ministério da Guerra. Com este, que aliás desejou sempre a nossa confraternização militar, foi preciso pleitear a autonomia do nosso corpo expedicionário em França.
O incidente dos canhões não se passou como o Chagas o referiu numa das suas cartas e como naturalmente o repetiria no livro que, sob sua inspiração, compôs o Paulo Osório. O general Eça era um grande disciplinador, mas também um grande disciplinado e nunca fez nada como ministro senão de acordo comigo. A formula da ida dos canhões, quando fossem os soldados, foi a que, depois de o consultar e ouvir-lhe que nos era indispensável esse armamento, empreguei, tendo-o ao meu lado, na conferencia com o delegado do ministro da guerra belga no Hotel de Itália do Estoril, onde eu nessa ocasião estava.
As dificuldades que tive com o Freire d’Andrade não provieram tanto do seu anglofilismo, de antigo governador de Moçambique, como da sua convicção da vitória alemã. Ele chegou a pedir a demissão num conselho em casa do Eça, que se achava adoentado, mas não lha aceitei. Acerca das nossas divergências, que afinal se resolviam pela sua concordância com a orientação do governo, ele deixou no Ministério dos Estrangeiros um curioso documento, rascunho duma carta ao Teixeira Gomes, que, logo que eu soube de tal, lhe recomendei que fosse buscar. Era um relato dessas divergências. O Gonçalves Teixeira há de lembrar-se disso.
Mil agradecimentos pela elevação com que rebate as acusações do Chagas, a quem prestei sempre todos os serviços que lhe devia, mas de quem não imaginei nunca possível fazer-se um homem de governo. Eis o motivo principal das suas queixas. Esforcei-me por desfazer os equívocos que havia a seu respeito no partido republicano, quando ele só subia ao Directório em S. Carlos, se eu lá estivesse, e ainda ficava na sala de espera até ir chamá-lo. Não houve provas de boa vontade e até de dedicação que eu não procurasse dar-lhe, põe ele e pela nossa causa. E várias vezes recebi dele demonstrações de estima. Mas cometi estes três grandes pecados: não achar que o seu lugar fosse nem no Directório do partido, nem no primeiro governo constitucional, nem à frente da União Sagrada. E o brilhante panfletário não me podia perdoar. Vi-me mesmo obrigado a dizer-lhe intimamente, com a liberdade com que o tratava, no tom severo de que um ultimo caso da sua vida doméstica, em que eu tinha intervindo, me dava o direito de usar: o Chagas tem o seu posto primacial na República como jornalista, mas não queira dirigir os negócios públicos, porque, com a sua dominadora emotividade, faz às ideias o mesmo que faz às mulheres. Pela ultima esquece todas as outras. É curioso que, quando em 1914 veio a Lisboa, procurou todos menos o chefe do governo; e sobrou-lhe tempo para lançar o “Século” na oposição.
Parece contudo que afinal, depois que fui aos “fronts” da guerra, ele mudara para comigo. Sei mesmo, que, em conversações em Lisboa, anunciou que ia escrever a minha viagem. Não o fez? E como havia de intercalar essas suas impressões nas suas memórias?
Aceite para si, para sua Exma. Esposa e para o seu saudoso Filho os nossos melhores votos de felicidade no novo ano. E peço-lhe que os transmita também a suas Exmas. Mãe e Irmãs. Relendo as suas ultimas palavras da pagina 103, abraça-o cordialmente como
Todo seu
Bernardino Machado"


Rascunho da carta (Espõlio Bernardino Machado)























Páginas do livro de Bourbon e Meneses a que Bernardino Machado se refere na carta:





Do Diário de Lisboa do dia 3 e 4 de Setembro de 1930 retirámos:










Do livro de Carlos Ferrão - "A Obra da República", do capítulo "Centenário do nascimento de João Chagas", copiámos as páginas 190 a 194:









terça-feira, 10 de julho de 2012










Do blogue do Dr. Amadeu Gonçalves  -  dopresente  -  clique aqui  -  transcrevemos:


"O próximo convidado do Museu Bernardino Machado para o V Ciclo de Conferências dedicado à temática “A Maçonaria em Portugal” é o professor Fernando Catroga com a intervenção “Os Fundamentos Filosóficos do Maçonismo Moderno”, no próximo dia 13 de Julho, pelas 21h30, com a entrada livre.

Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Instituto de História e Teoria das Ideias), o Prof. Fernando Catroga para além das suas funções universitárias, acções científicas e actividade docente, tem realizado centenas de conferências em Portugal, Espanha, França, ex-URSS, Alemanha, Brasil, E. U. A e Bélgica. Com áreas de interesses que vai desde a História Cultural, passando pela História da Cultura em Portugal (Séculos XIX-XX), História da Cultura Europeia, História das Ideias Políticas, Teorias da Nação e do nacionalismo, Teorias da História ou pela Historiografia, tem colaboração dispersa em algumas revistas, nomeadamente “Revista de História das Ideias”, em algumas obras colectivas, caso da “História de Portugal”, dirigida por José Mattoso, com os textos “As Maçonarias Liberais e a Política”, “Romantismo, Literatura e História”, “Nacionalistas e Iberistas”, “Os Caminhos Polémicos da geração Nova”, “Morte Romântica e Religiosidade Cívica” e “Cientismo Político e Anticlericalismo”. Tem obras publicadas como “A Formação do Movimento Republicano: 1870-1883” (1982), “A Militância Laica e a Descristianização da Morte em Portugal: 1865-1911” (1988), “O Republicanismo em Portugal: da formação ao 5 de Outubro de 1910” (1991, 2000)”, “O Céu da memória: cemitério romântico e culto cívico dos mortos” (1999), “Antero de Quental: história, socialismo e política” (2001), “Memória, História e Historiografia” (2001), “Caminhos do Fim da História” (2003), “Entre Deuses e Césares: secularização, laicidade e religião civil” (2006) e, mais recentemente, “Ensaio Republicano” (2001).

Recorde-se que o Prof. Fernando Catroga já esteve presente no Museu Bernardino Machado no IV Ciclo de Conferências, cuja temática era “As Mulheres e a I República” (2011), com a conferência inaugural “As Mulheres e a República”. As conferências deste V Ciclo são acreditadas pelo Conselho Científico da Formação Contínua de Professores, para os professores da disciplina de História, Filosofia e Sociologia. Aos presentes será entregue um certificado."







 O Presidente Bernardino Machado com o Ministro Plenipotenciário dos Estados Unidos da América em Portugal, Thomas H. Birch (1917)

Copiado, com a devida vénia, de flickr doYahoo



Thomas H. Birch foi Ministro Plenipotenciário dos Estados Unidos em Portugal de 15 de Dezembro de 1913 a 15 de Março de 1922.



Portugal e os Estados Unidos – relações no domínio da defesa


J. Calvet de Magalhães*


Primeira Guerra Mundial: a base naval americana em Ponta Delgada

"Com a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial em Abril de 1917 e o recrudescimento da campanha submarina alemã no Atlântico Norte, a posição estratégica dos Açores para apoio ao combate anti-submarino passou a constituir um factor da mais alta importância para as autoridades navais americanas e para os comandos aliados. Portugal participava na guerra desde Março de 1916 e, em Janeiro de 1917, quando a campanha submarina alemã recrudesceu de vigor, surgiram várias inquietações sobre a segurança dos Açores. O presidente Wilson, em princípios de 1917, começou a dar sinais de querer interferir no conflito e, em 7 de Janeiro desse ano, o ministro americano em Lisboa, Thomas H. Birch, dirigiu uma nota ao governo português na qual se advogava a conveniência de estabelecer uma base naval nos Açores para fazer frente à intensa campanha submarina alemã e se solicitavam diversas facilidades de apoio às forças navais americanas que demandavam os portos açorianos. O governo português havia já solicitado ao governo britânico protecção naval para os arquipélagos portugueses no Atlântico e, no caso de a marinha britânica não poder desempenhar-se dessa tarefa, a cedência de seis destroyers devidamente artilhados. A 3 de Fevereiro de 1917, já depois de ser recebida a nota americana, o Foreign Office, em resposta às diligências feitas pela nossa legação em Londres, responde que não podiam ser fornecidos os navios solicitados. O governo português continuava, porém, hesitante quanto ao estabelecimento de uma base naval americana nos Açores e quando a autorização foi dada em Outubro de 1917 para a marinha americana arrendar um armazém em Ponta Delgada foi interpretada pelo State Department como anuência à instalação de uma base naval. Alexandre Braga, que geria interinamente a pasta dos Negócios Estrangeiros, comunicou, em 17 de Outubro, ao nosso ministro em Washington, Visconde d' AIte, que o estabelecimento de uma base naval nos Açores era um caso melindroso que exigia ponderação, convidando-o a dar a sua opinião sobre o assunto. AIte respondeu no dia imediato dizendo que «será perigoso fazer concessão pedida pelo governo americano sem ficar consignado, de modo absolutamente claro, que a concessão caducará inteiramente em dia determinado depois de terminada a guerra» e que «para maior segurança será melhor associar na mesma concessão a Inglaterra e a França ainda que não queiram estas potências utilizá-Ia». Entretanto, em 6 de Outubro, o governo britânico informava o governo português de que nas circunstâncias existentes na altura a Inglaterra estava impedida de prover à defesa do arquipélago dos Açores, considerando que o governo português faria bem em aceitar a ajuda militar oferecida pelo governo americano. A 30 desse mês o ministro americano em Lisboa dirigiu uma nota ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Soares, solicitando em nome do seu governo autorização para a instalação de uma base naval nos Açores para fazer face à campanha submarina alemã. A 8 de Novembro, Augusto Soares transmite ao ministro Birch o consentimento do governo português para essa instalação. Os jornais espanhóis, extremamente influenciados pela propaganda alemã e os emigrados políticos portugueses em Espanha, espalharam a notícia de que os Açores haviam sido ocupados pelas forças americanas, o que era, evidentemente, falso. Embora dotada de poucos meios, a base naval americana em Ponta Delgada desempenhou, todavia, um papel de enorme relevo na luta anti-submarina no Atlântico. Franklin D. Roosevelt, que ao tempo era subsecretário da Marinha, numa visita de inspecção que fez à Europa, visitou os Açores entre 15 e 18 de Julho de 1918. Roosevelt viajou no destroyer USS Dyer, que participou na escolta de um comboio de navios transportando mais de 20 mil homens destinados ao teatro europeu. Perto dos Açores, o destroyer deixou o comboio e dirigiu-se à Horta e depois a Ponta Delgada. O futuro presidente, na altura ainda muito jovem, teve uma calorosa recepção por parte das autoridades civis e militares e da população de Ponta Delgada e, segundo um dos seus biógrafos, aludia frequentemente, através da sua vida, a esta visita, romanceando até um pouco um encontro que o destroyer em que viajava tivera com um suposto submarino alemão. Durante as negociações sobre os Açores em 1943, numa carta que dirigiu a Salazar, Roosevelt não deixa de aludir a esta visita. Relatando a sua estadia nos Açores ao secretário da Marinha, Joseph Daniels, refere-se à base naval nos seguintes termos: «Em relação à situação naval, os Açores deverão necessariamente tomar-se um ponto de escala de grande frequência, durante o próximo ano, para os nossos novos destroyers, barcos Eagle, etc. Por exemplo, no dia seguinte à minha partida, o almirante Dunn (comandante da base) esperava 35 navios de guerra vindos dos Estados Unidos, 25 110 soldados e dez grandes barcos. Muitos destes navios chegaram com necessidade de reparações e as facilidades de reparação são marcadamente inadequadas. Tenho conhecimento de que foram feitas recomendações para a instalação de uma oficina de reparação em terra. Um navio-oficina seria melhor, mas não o podemos dispensar. No que se refere à Horta, na ilha do Faial, não precisamos de nenhuma base ali, mas na minha opinião devíamos lá ter um pequeno depósito de óleo, no extremo interior do molhe, e um representante naval no porto ... O Dyer chegou a Ponta Delgada apenas com mil galões de óleo de reserva. Ter-se-ia evitado muita preocupação se tivéssemos tomado uma pequena porção na Horta. O mesmo é provável que suceda com outros destroyers. Além disso, a Horta está próxima do trajecto dos comboios; seria lá o lugar lógico para aportar no caso de falta de carburante. O destacamento aéreo está fazendo um trabalho excelente, mas é prejudicado pelos velhos hidroaviões de que dispõe. Não existe espaço suficiente no porto para lhes dar um novo Flying Boat, mas deveria ter alguns aviões pequenos novos ... Os dois canhões em terra constituem, penso eu, suficiente protecção. Os portugueses falam em iniciar uma estação aérea na Horta e montar ali canhões. Estão inclinados a aceitar a nossa ajuda e os britânicos estão ansiosos por lhes dar esta ajuda. Penso que devíamos fazer isso sem hesitação pois não serviria envolver outra potência na situação dos Açores». Esta última observação denota bem o especial interesse dos Estados Unidos pela utilização militar dos Açores e o ciúme que sentiam por qualquer outra potência aliada ali poder, de alguma forma, exercer influência. Terminada a guerra, e apesar dos boatos postos a correr na imprensa espanhola sobre a ocupação definitiva dos Açores pelos americanos ou sobre a proclamação da independência das ilhas, apadrinhada pelos americanos, a base naval americana em Ponta Delgada foi desactivada, sendo entregue às autoridades militares portuguesas alguma artilharia."



segunda-feira, 9 de julho de 2012





Para a Rita!

Comité International de Propagande par le Film





"Par ailleurs, José Domingues dos Santos et Bernardino Machado participent à des initiatives extérieures à la communauté portugaise, notamment en faveur de l’Espagne républicaine. C’est ainsi que le premier deviendra le directeur de la revue France-Espagne, publiée à Paris au début décembre 1936. Et que tous deux participeront au Comité International de Propagande par le Film, qui rassemble des personnalités telles que la duchesse d’Athol, Pierre Cot, le scientifique Frédéric Joliot, l’écrivain Romain Rolland, le prix Nobel de la Paix, Henri Lafontaine, et le secrétairegénéral de la CGT, Léon Jouhaux. En 1939, les chefs républicains feront encore partie des Amis de la France, au sein desquesl il y aura d’ailleurs une section portugaise. Cependant, en 1939 l’heure n’est pas à l’activité, mais au repli des exilés. La menace allemande, la fin du gouvernement de Front Populaire, le durcissement des lois concernant les étrangers en France, l’arrivée massive des réfugiés d’Espagne, et finalement le début de la Deuxième Guerre mondiale créent une nouvelle situation, dans laquelle les exilés portugais disposent d’une marge de manoeuvre assez réduite. Face au déclenchement des hostilités, le petit nombre de républicains encore en exil e France essaie de faire connaître sa position précise, dans un texte qui sera nommé la “Déclaration de Tours” (Bernardino Machado y résidait en septembre 1939), remis à la Légation portugaise le 5 octobre 38."  -   (Cristina Clímaco - "Le temps de l'exil: l'opposition républicaine en France pendant les années 30")







domingo, 8 de julho de 2012





Conforme estava programado, o Professor Doutor António Ventura proferiu a sua   conferência - "Maçonaria na I República e no Estado Novo", no passado dia 6.

Transcrevemos o relato do blogue  do Dr. Amadeu Gonçalves - dopresente - clicar aqui:


"A propósito do Centenário da República e da sua implantação em Portugal e do tema que relaciona a Maçonaria e a I República, o Professor António Ventura iniciou a sua conferência, subordinada à Maçonaria na I República e no Estado Novo, criticando a publicação de algumas obras relacionadas com o tema, na medida em que algumas são especulativas, outras fantásticas e raras abordam a mesma relação.

Tomando como princípio comum que uma coisa são as instituições, outra coisa são as pessoas, a Maçonaria, em si, antes da República, não teve nada a ver com o 31 de Janeiro: aliás, a Maçonaria foi alheia ao movimento, caso da Maçonaria portuense e do próprio Grande Oriente Lusitano Unido, que o condenou, na medida em que a Maçonaria não combate as instituições. É o que Bernardino Machado, quando toma posse do cargo de Grão-Mestre, ainda longe o ideário republicano, defende no discurso da tomada de posse. Com as suas cisões próprias, até à Revolução do 5 de Outubro, o Prof. António Ventura evidenciou que não há um texto da maçonaria a apelar à revolução! O que existe é que há maçons na revolução republicana, isto é que é diferente! Mesmo no I Governo Provisório, poucos são os maçons que estão no Governo, como é o caso de Bernardino Machado, Afonso Costa e de António José de Almeida. O que o prof. António Ventura defende é que não há maçons com responsabilidades, o que existe são maçons, e muitos, que são iniciados, reincidentes ou alguns irradiados. É o caso da Comissão de Resistência, que tinha o mero papel de ouvir as lojas e de apoiar os maçons perseguidos. Por seu turno, a Maçonaria já teve um papel decisivo da missão da França em Inglaterra (1908). Desta forma, e em larga medida, a República é o triunfo da Maçonaria, até porque o triunfo da Revolução vai ser não só o triunfo da própria Maçonaria, como o desenvolvimento da mesma em Portugal. Os maçons vão ocupar cargos importantes, funda-se novas lojas e triângulos um pouco por todo o País, surgindo algo novo: o aparecimento público da Maçonaria.

Com mais uma cisão da Maçonaria em 1914, estando em causa a problemática “ou uma federação de lojas ou de ritos”, surgindo então o Grémio Luso-Escocês, Sebastião de Magalhães Lima vai ter um papel preponderante para a união da instituição. E se no 28 de Maio não há propriamente uma condenação há Maçonaria, o que só acontecerá em 1935, nesta fase importante será também o papel de Oliveira Camões, o qual defende que não é propriamente em regimes de liberdade que os maçons fazem falta, mas sim em regimes ditatoriais. Para o Prof. António Ventura, a Maçonaria não está habituada à clandestinidade. E mesmo perante o 28 de Maio, o Grande Oriente Lusitano Unido não o condena. Se temos antigos maçons com a ditadura e o Estado Novo, maçons no Tarrafal, existe igualmente figuras de destaque no Estado Novo que nunca esquecerão o seu passado de maçons."


 Os Professores Doutores António Ventura e Norberto Ferreira da Cunha

 Professor Doutor António Ventura

A assistência à conferência




 




sábado, 7 de julho de 2012







A Dra. Martha Esperanza Ramos de Echandia ofereceu ao Museu Bernardino Machado o "DVD" que reproduz o acontecimento do lançamento do livro de Elzira Dantas Machado, realizado no passado dia 21 de Março, no "Salon Bolivar Club de Abogados" de Bogotá, conforme referimos no blogue do dia 13 de Abril  - clique aqui. A cerimónia, muito concorrida, teve a presidência do Embaixador de Portugal na Colombia, Augusto Saraiva Peixoto.
Saudações muito afectuosas e de gratidão para a Dra,. Martha Esperanza. Bem haja!


 




sexta-feira, 6 de julho de 2012




























Da Introdução ao Tomo 1 - III Política - das Obras de Bernardino Machado, transcrevemos mais um texto escrito pelo Professor Doutor Norberto Ferreira da Cunha.

Professor Doutor Norberto Ferreira da Cunha



segunda-feira, 2 de julho de 2012








No próximo dia 6, sexta-feira, às 21,30, profere a conferência "A Maçonaria na I República e no Estado Novo", o Professor Doutor António Ventura, da Faculdade de Letras de Lisboa.





Do portal do Museu Bernardino Machado  -  clique aqui , e do blogue "dopresente" do Dr Amadeu Gonçalves  -  clique aqui  , retirámos a notícia da nova exposição patente no Museu Bernardino Machado.

"Encontra-se no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, a exposição intitulada “O Estado Novo e as Mulheres”, a qual estará patente ao público entre Julho até 4 de Setembro do corrente ano. Organizada pela Biblioteca Museu República e Resistência, da Câmara Municipal de Lisboa, com a coordenação de João Mário Mascarenhas e textos de Helena Neves, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres” tem vinte e dois painéis com as seguintes temáticas: i) As Ditaduras Fascistas, ii) Os Ditadores, iii) Mobilização dos Ventres: política natalista e laboral, IV) O Antifeminismo, V) Organizações Femininas dos Regimes Ditatoriais, VI) A Lição de Salazar, VII) A Escola: «Oficina das Almas» femininas, VIII) A Elite Feminina, IX) OMEN: Obra das Mães para a Educação Nacional, X) OMEM: assistencialismo, XI) Mocidade Portuguesa Feminina: a formação, XII) Mocidade Portuguesa Feminina, XIII) MPF: Sentinelas da Alma de Portugal, XIV) MPF: religiosidade e nacionalismo, XV) MNF: Movimento Nacional Feminino, XVI) MPF: a imprensa, XVII) Culto ao Chefe e a Questão Colonial, XVIII) MNF: o serviço de embarque, XIX) MNF: o esvaziamento, XX) MNF: Madrinhas de Guerra e Natal do Soldado, XXI) OMEN: ruralidade como defesa da Nação, XXII) A Evolução do Regime e as Organizações de Mulheres. Pretendendo evidenciar, conforme a sinopse da organização, o género feminino como elemento essencial de veiculação e da mobilização política por parte do Estado Novo, retrata-se, à semelhança de outras ditaduras, a condição e o enquadramento social e cultural da mulher, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres”, agora patente no Museu Bernardino Machado, tem entrada livre."

















domingo, 1 de julho de 2012





Recorte do jornal "República" do dia 3 de Abril de 1964, sobre as comemorações do cinquentenário da elevação de Alpiarça a vila: