terça-feira, 21 de março de 2017





Recordar Fidelino de Figueiredo  -  3



Quando ainda era estudante foi fundador  do
 -  Centro Democrático Académico de Lisboa: na sede na rua dos Remolares, , 30, 1º, realizou-se, em 4 de Novembro de 1909, a eleição dos novos corpos dirigentes deste centro. Foram eleitos:
Direcção: Ernesto RomaMiguel AbreuJúlio Pereira da CostaGastão Messier; substitutos: Luís PachecoAntónio Pinto TeixeiraÁlvaro FernandesEurico Nogueira e Maximiano Alves
Comissão de propaganda: efectivos: Manuel BravoDagoberto Guedes Machado CruzMarques da Silva Simões Torres; Substitutos: Silva NobreRodrigues de MouraFidelino de FigueiredoAugusto Vilas Antero Machado.


"Na primeira semana de Fevereiro de 1909 constitui-se, em Lisboa, mais um centro aglutinador de estudantes republicanos, o Centro Democrático Académico, que se arvora a missão de ser uma espécie de consciência crítica do Partido Republicano Português. Quanto ao problema da educação, o Centro «interessar-se-á e procurará interessar a sociedade portuguesa, especialmente a sua elite intelectual, por todos os problemas pedagógicos de indispensável solução entre nós, como sejam a refundição do ensino politécnico e médico, a criação duma Faculdade de Letras e de uma Escola Normal de Ensino Superior, a instituição em Lisboa de uma Escola de Direito, baseada na orientação moderna dos estudos sociais e jurídicos e absolutamente independente da Escola de Coimbra» H . O facto de o Centro Democrático Académico de Lisboa ter decidido pela sua não filiação no Partido Republicano Português, alegando critérios de «honestidade política», na medida em que se pretende reservar «o direito de livre apreciação e crítica» é sintomático de uma atmosfera onde a unanimidade ideológica se vai rarefazendo, acaso alguma vez tenha verdadeiramente existido» Isto é, se a ideia de república como negação da ideia de monarquia não está em causa, já se vai tornando mais problemático reunir um perfeito consenso quando se colocam na mesa questões que exigem uma definição rigorosa dos conceitos e uma corajosa assunção dos compromissos históricos." In Ana M. Caiado Boavida, Tópicos sobre a Prática Política dos Estudantes Republicanos (1890-1931), Limites e Condicionantes do Movimento Estudantil, Análise Social, vol. XIX, 1983.



Já no início do regime republicano aderiu ao Sidonismo, tendo sido Director da Biblioteca Nacional e deputado durante a "Nova República".































Fidelino de Figueiredo
Quadro pintado por Abel Cardoso

Recordar Fidelino de Figueiredo  -  2














Biografia retirada da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira


























segunda-feira, 20 de março de 2017





Recordar Fidelino de Figueiredo - 1
20 de Julho de 1888 - 20 de Março de 1967
















Faz hoje 50 anos que faleceu Fidelino de Figueiredo.
Recordo que na minha juventude frequentava a sua casa. O Doutor Fidelino de Figueiredo tinha relações de amizade com meu Pai e morávamos perto - na Avenida Duque de Ávila. Seu filho Nuno era meu colega no Liceu Camões e meus irmãos eram companheiros dos filhos mais velhos.
No final da sua vida, quando regressou a Portugal, voltei a encontrar-me por diversas vezes com o Doutor Fidelino de Figueiredo e a Senhora Dona Dulce na sua casa da Rua Duarte Lobo, quando  acompanhava o meu Mestre Ernesto Roma nas visitas que fazia ao seu companheiro dos tempos da Universidade.

Duas semanas antes de falecer ofereceu-me o livro "Ideias de Paz" :





Quem me chamou a atenção para a efeméride foi o António Valdemar,  numa das nossas conversas. Dizia-me então o meu caríssimo amigo: - "O Fidelino foi uma personalidade importante, mas muito polémica.
Foi anarquista, integralista, sidonista, interveio a seguir ao 28 de Maio, foi antissalazarista e acabou maoista!...
Hoje em Portugal ninguém sabe quem foi. Era um licenciado em história e geografia que passou para a literatura por ódio ao Teófilo. Deve recordá-lo no seu blogue! "




sábado, 18 de março de 2017

Do portal da Associação de Professores de História, com a devida vénia:










As Mulheres e a Maçonaria

Natividade Monteiro

símbolo macónicoFoi há cem anos, em 1907, que Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, iniciou na Maçonaria um grupo de mulheres feministas e republicanas que há muito lutavam pela transformação política e cultural da sociedade portuguesa. Foram elas, as dirigentes feministas Adelaide Cabete, Ana Augusta Castilho, Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Veleda que, entre outras, passaram a militar na Loja Humanidade, agremiação maçónica feminina independente, com igualdade de direitos e representação junto das hierarquias maçónicas e em todos os actos de carácter electivo. A criação desta loja feminina remonta a 1904, mas só com a entrada das mulheres feministas e republicanas se tornou independente, situação inédita em toda a Europa e bastante contestada por algumas lojas masculinas mais conservadoras.

A luta destas mulheres não se limitava à reivindicação da igualdade de direitos sociais, civis e políticos mas incluía, sempre que possível, uma prática de plena cidadania. A independência conseguida no interior da Maçonaria não foi alheia à luta pela emancipação feminina, ideal que naquela época não se podia desligar da luta pela República e pela liberdade de consciência. Magalhães Lima, como Grão-Mestre da Maçonaria, teve um papel muito importante neste processo de autonomia, pois foi o dirigente republicano que mais apoiou a causa da emancipação das mulheres, sobretudo o direito de voto.
Retrato de Magalhães LimaApesar das divergências entre as agremiações maçónicas femininas e masculinas, a Loja Humanidade manteve-se no Grande Oriente Lusitano Unido até 1913, data em que a polémica contestatária se reacendeu. Ana de Castro Osório, venerável da Loja Humanidade, lançou nessa data um inquérito escrito dirigido a figuras importantes da política e da Maçonaria no sentido de avaliar o contributo das mulheres para o triunfo da causa democrática e saber se nessa corporação era ou não justo que elas fossem aceites como irmãs respeitadas e iguais em direitos. Esta última questão não obteve o desejável consenso e as mulheres da Loja Humanidade desligaram-se do Grande Oriente Lusitano Unido, isto é, da Maçonaria regular, e passaram a trabalhar em liberdade no dito mundo profano até 1920, outro caso inédito em toda a Europa. Entretanto, em 1915, algumas dissidentes fundaram a Loja Carolina Ângelo, em memória da irmã falecida em Outubro de 1911, sendo esta também chefiada por Ana de Castro Osório. Cinco anos depois a loja contava com trinta e duas associadas, cuja profissão dominante era a de professora dos vários níveis de ensino, tal como se verificara na Loja Humanidade. Nesta data, por ocasião da proclamada Monarquia do Norte, houve uma insistência das altas hierarquias para que as mulheres regressassem ao Grande Oriente Lusitano Unido. Magalhães Lima, o principal impulsionador do regresso, conseguiu os seus objectivos.
A participação das mulheres na instituição maçónica foi mais ou menos intensa consoante o rumo que o regime republicano ia tomando. Sempre que os ideais da República eram desvirtuados ou estavam em perigo de perecer havia uma congregação de esforços entre agremiações femininas e masculinas para os defender e consolidar. No entanto, as mulheres cansadas e desiludidas pela actuação dos seus confrades, decidiram filiar-se na Ordem Mista Internacional Direito Humano, fundada em França em 1893 por Maria Deraismes e George Martin, que aceitava homens e mulheres em igualdade de direitos. Adelaide Cabete foi a obreira desta adesão em 1923, sendo-lhe concedidos poderes para instalar a Loja Humanidade de Direito Humano nº. 776, da qual se tornará Venerável.
Retrato de Albertina GambôaÉ nesta loja mista que, em 1926, militam já quarenta e sete associada(o)s, entre a(o)s quais, figuram nomes de filha(o)s de Figueira de Castelo Rodrigo. São ela(e)s Albertina Olinda Ria Gambôa, Elida Madeira e Porfírio António Gambôa. Aliás, Albertina Olinda Ria Gambôa fez parte do núcleo fundador com Adelaide Cabete, desempenhando o cargo de secretária no corpo directivo. Na década de vinte, foi intensa a actividade e o recrutamento de militantes em todo o país com o objectivo de constituir uma Federação capaz de se tornar independente da Maçonaria Mista francesa.

Cem anos depois, há que homenagear todas as mulheres que tiveram a coragem de lutar com coerência e tenacidade pelos ideais da liberdade, igualdade e solidariedade em todas as associações a que pertenceram e que, apesar das limitações impostas ao seu sexo, ousaram exercer a cidadania em todas as vertentes do quotidiano.


Natividade Monteiro é licenciada em História pela FL-UL, mestre em Estudos sobre as Mulheres, professora de História e investigadora de Faces de Eva-Cesnova e do CEMRI-Universidade Aberta. Faz parte dos órgãos sociais da APH - Associação de Professores de História, é sócia da APEM – Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres, membro do Conselho Científico do Centro de Documentação e Arquivo Feminista Elina Guimarães da UMAR e integra a Direcção e o Conselho Redactorial da Revista Faces de Eva. No âmbito dos Estudos sobre as Mulheres, tem publicado livros e artigos, participado em Congressos, Seminários, Colóquios e Tertúlias e coordenado exposições e ciclos de conferências.os, Colóquios e Tertúlias e coordenado exposições e ciclos de conferências.






quinta-feira, 16 de março de 2017







A propósito das comemorações do centenário da morte de Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República 















Textos de Bernardino Machado:













O Governo de Bernardino Machado de 1914